O racha político entre o prefeito Abílio Brunini e o ex-secretário Amauri Monge ganhou um novo e gravíssimo componente jurídico que promete nacionalizar o escândalo. Como grande parte do orçamento da Educação de Cuiabá é composto por repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), os recursos sob suspeita possuem origem estritamente federal. Dessa forma, tanto a denúncia de desvio de R$ 80 milhões feita pelo prefeito quanto a acusação de calote e "pedalada fiscal" de R$ 100 milhões apresentada pelo ex-secretário escapam da alçada puramente estadual e forçam a entrada de órgãos federais de controle no circuito.
Juristas apontam que a movimentação de verbas carimbadas da União atrai automaticamente a competência da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) para investigar o caso. A partir do momento em que se questiona a aplicação do Fundeb e a execução de soluções pedagógicas e compras de materiais didáticos, qualquer indício de fraude, malversação ou desvio de finalidade — como o polêmico custeio do Aquário Municipal com verbas do ensino — passa a ser crime de responsabilidade contra bens da União. Nos bastidores políticos, a expectativa é de que as denúncias mútuas resultem em uma devassa minuciosa sobre as contas da Prefeitura de Cuiabá, arrastando a gestão municipal para o foco de rigorosos inquéritos federais
Verba federal na mira: Crise na Educação de Cuiabá deve atrair investigação da Polícia Federal e do MPF
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