A Prefeitura de Cuiabá encerrou o Relatório de Gestão Fiscal Consolidado de 2025 com um dado indigesto para a gestão Abilio Brunini (PL): a disponibilidade de caixa líquida ficou negativa em R$ 651,5 milhões após a inscrição de restos a pagar. O número consta em publicação da Gazeta Municipal de segunda-feira (8) e expõe um cenário de forte aperto financeiro no Palácio Alencastro.
O quadro mais sensível aparece na Saúde, área que atinge diretamente a população. Conforme o demonstrativo, os recursos vinculados ao setor fecharam com disponibilidade de caixa líquida negativa de R$ 211,1 milhões. O dado amplia a pressão sobre a gestão municipal em meio às cobranças por atendimento, estrutura, medicamentos e regularidade nos serviços públicos.
Outro ponto que chama atenção é o saldo dos recursos não vinculados, considerados mais livres para uso pela administração. Segundo o relatório, esse grupo fechou negativo em R$ 312,9 milhões, reforçando a leitura de que a prefeitura tem pouca margem financeira para honrar compromissos sem depender de remanejamentos, novas receitas ou empurrar despesas para frente.
Enquanto os números oficiais mostram uma prefeitura cheia de problemas, Abilio tem apostado em frases de efeito e polêmicas nas redes sociais. A estratégia, vista por críticos como uma cortina de fumaça, tenta desviar o foco dos desgastes da gestão, principalmente dos desmandos na Educação, que virou alvo de suspeitas envolvendo possível “pedalada” milionária e suposto desvio de recursos.
O caso da Educação colocou a gestão no centro de uma crise política e administrativa. A acusação é de que mais de R$ 100 milhões da área teriam sido usados para cobrir outras despesas, além da suspeita de desvio de R$ 80 milhões em contratos da pasta. O assunto já chegou aos órgãos de controle e é investigado pelo Ministério Público Estadual e pelo Tribunal de Contas do Estado.
Mesmo diante de problemas graves, o prefeito insiste em transformar a administração municipal em palanque permanente. Em vez de baixar a cabeça, reconhecer as dificuldades e buscar articulação institucional, inclusive junto ao Governo Federal para garantir recursos para Cuiabá, Abilio prefere manter o tom de confronto, criticar adversários e alimentar brigas políticas.
A postura também tem contaminado a relação com deputados estaduais. Nos bastidores, a leitura é de que parte dos ataques à Assembleia Legislativa ocorre em meio ao projeto eleitoral de tentar emplacar a esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), como deputada estadual nas eleições de 2026. Com isso, a gestão municipal acaba misturando administração pública com interesse eleitoral.
Na prática, Abilio critica todos, cria atritos, alimenta polêmicas e não consegue demonstrar capacidade de gerenciamento nem sobre o próprio fluxo de caixa da prefeitura. O relatório fiscal escancara que o discurso de rede social não fecha conta, não paga fornecedor, não resolve a Saúde e não apaga o rombo registrado nos demonstrativos oficiais.
Politicamente, os números dão munição para a oposição e reforçam a imagem de uma gestão que vive de barulho, mas tropeça na administração. Com caixa negativo, Saúde no vermelho e Educação sob suspeita, a prefeitura entra em uma fase delicada, enquanto o prefeito tenta transformar crises reais em disputa de narrativa na internet.