VIU AGORA O PROBLEMA ? Às vésperas da eleição, Pivetta promete resolver em 180 dias crise histórica da água em VG

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VIU AGORA O PROBLEMA ? Às vésperas da eleição, Pivetta promete resolver em 180 dias crise histórica da água em VG

Depois de passar mais de sete anos como vice-governador e assumir o Palácio Paiaguás em março deste ano, Otaviano Pivetta (Republicanos) parece ter encontrado, justamente quando se prepara para disputar a reeleição, a fórmula para resolver em 180 dias um problema que castiga Várzea Grande há décadas. O Republicanos já marcou convenção para oficializar a candidatura do governador.

Nesta quarta-feira (22), Pivetta anunciou o aporte inicial de R$ 60 milhões, prometeu ampliar o número de trabalhadores de 320 para cerca de mil e afirmou que o Estado só deixará o Departamento de Água e Esgoto depois que a crise estiver resolvida. O plano prevê ações emergenciais, aquisição de equipamentos e recuperação da estrutura do DAE. O comitê criado pelo TAC terá prazo de 12 meses, embora o governador prometa universalizar o abastecimento em apenas 180 dias.
A iniciativa é necessária, mas o momento escolhido para apresentá-la dá à medida um forte sabor de pré-campanha. A promessa começou a ser divulgada poucos meses antes da eleição e será testada, em grande parte, somente depois que os eleitores tiverem ido às urnas. Até os primeiros valores anunciados variaram: inicialmente, Pivetta falou em um programa estimado entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões; agora, o aporte formal é de R$ 60 milhões, com a promessa aberta de colocar mais dinheiro caso seja necessário.
Enquanto a solução eleitoralmente conveniente não chega, a população convive com uma rede que perde cerca de 60% da água produzida. Embora 97,6% dos moradores tenham acesso formal à rede, o abastecimento é marcado por baixa pressão, vazamentos e interrupções. No esgotamento sanitário, apenas 19,1% da população é atendida pela coleta, e somente 16,6% dispõe de coleta acompanhada de tratamento.

Os problemas não estão apenas na quantidade de água. Em março, o Ministério Público ingressou com uma ação contra o Município e o DAE após a identificação de irregularidades persistentes e de água com contaminação fecal, situação apontada como risco à saúde da população.

Também são frequentes os rompimentos, falhas em bombas, desmoronamentos próximos às captações e paralisações que deixam dezenas de bairros sem abastecimento. Em junho, o rompimento de uma tubulação na ETA Imigrantes comprometeu o fornecimento em mais de 20 bairros. Em abril, uma falha no sistema atingiu diversas regiões e o DAE admitiu que a completa normalização poderia levar até 72 horas.
A autarquia ainda enfrenta calamidade financeira, risco de descontinuidade dos serviços, déficit orçamentário e dívidas acumuladas. Mesmo assim, a resposta robusta do Estado só ganhou prioridade máxima quando Pivetta passou de vice-governador a governador e pré-candidato à permanência no cargo.

Que os R$ 60 milhões sejam investidos e que a água finalmente chegue às torneiras. Mas Várzea Grande já ouviu promessas demais para comemorar anúncio, força-tarefa e frase de efeito. Água não pode virar peça de campanha. Antes de pedir votos pela solução, Pivetta terá que mostrar resultados — porque a população não bebe promessa.