"MT, UM FAZENDÃO" - Encontro com Renan expõe mão de gigantes do agro no tabuleiro eleitoral

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"MT, UM FAZENDÃO" - Encontro com Renan expõe mão de gigantes do agro no tabuleiro eleitoral

O encontro reservado entre Renan Santos (Missão) e alguns dos maiores empresários do agronegócio de Mato Grosso dificilmente pode ser tratado como uma simples conversa de apresentação. Oficializado pelo Missão como candidato à Presidência na segunda-feira (20), Renan reuniu-se, na noite de terça-feira (21), em Cuiabá, com nomes como Blairo Maggi, Eraí Maggi, Fernando Scheffer, o ex-governador Mauro Mendes, o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) e o ex-senador Cidinho Santos.

Após o encontro, Blairo publicou nas redes sociais que Renan seria “uma boa opção” ou uma alternativa em meio à polarização. A manifestação chama atenção porque ocorre justamente quando o tabuleiro estadual está dividido entre Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos).

Wellington já possui um presidenciável claramente ligado ao seu projeto. Flávio Bolsonaro declarou apoio exclusivo ao senador na disputa pelo Governo de Mato Grosso e descartou dividir seu palanque estadual com outro candidato. Pivetta, por outro lado, ainda não apresentou uma ligação presidencial com o mesmo grau de definição, enquanto o Republicanos tenta construir alianças para sua candidatura.

Renan não retiraria votos de Flávio de maneira automática, como se o eleitorado pudesse ser transferido por decisão dos empresários. Entretanto, por se apresentar como uma alternativa de direita contrária à polarização e disputar o eleitor conservador, ele pode concorrer diretamente por uma parcela dos votos que hoje estaria mais próxima do candidato do PL. O próprio Renan aproveitou a passagem por Cuiabá para classificar Flávio como um candidato “ruim”. Uma pesquisa divulgada nesta semana também mostrou Renan avançando para 9% e ganhando espaço entre os candidatos do campo da direita.

Nesse cenário, a aproximação pode interessar ao grupo que sustenta o projeto de Pivetta. Um crescimento de Renan poderia enfraquecer o peso eleitoral de Flávio em Mato Grosso e, consequentemente, reduzir a vantagem política que Wellington tenta obter ao dividir o palanque com o presidenciável do PL.

Reuniões com alguns dos maiores produtores do país, um candidato à Presidência e lideranças envolvidas diretamente na eleição estadual raramente acontecem sem cálculo.

Blairo, Eraí, Scheffer, Mauro e Cidinho podem até não estar disputando mandatos neste momento, mas o encontro demonstra que continuam atentos ao poder. Longe dos cargos, seguem reunindo candidatos, avaliando alternativas e movimentando peças capazes de influenciar as chapas para deputado estadual, federal, Senado e Governo.

O discurso de afastamento da política, portanto, não combina totalmente com a cena registrada em Cuiabá. Quem reúne presidenciável, políticos e grandes financiadores do setor produtivo não está apenas assistindo ao jogo. Está, no mínimo, escolhendo quais peças pretende colocar no tabuleiro.