VAI SUBIR O PREÇO Abilio tentou culpar Emanuel, mas a Cuiabá Regula de Abilio autorizou por unanimidade reajuste da CS Mobi

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VAI SUBIR O PREÇO  Abilio tentou culpar Emanuel, mas a Cuiabá Regula de Abilio autorizou por unanimidade reajuste da CS Mobi

O prefeito Abilio Brunini (PL) até tentou desviar o foco e empurrar para a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) o desgaste envolvendo o contrato da CS Mobi. No entanto, a nova decisão que reacende a polêmica passou justamente pela Cuiabá Regula, agência criada na atual gestão para substituir a antiga Arsec. A Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá aprovou, por unanimidade, o reajuste anual da Contrapartida Administrativa Individual (CAI) prevista no contrato de concessão nº 558/2022/PMC, firmado com a CS Mobi Cuiabá SPE S.A. A decisão foi publicada na Gazeta Municipal desta segunda-feira (22) e expõe uma contradição política para Abilio. Embora o prefeito costume atribuir à gestão passada a responsabilidade pelo contrato considerado uma das maiores heranças impopulares de Cuiabá, foi a estrutura regulatória criada em seu próprio governo que deu aval ao reajuste. A Cuiabá Regula foi instituída em 2025, na gestão Abilio, com a missão de fiscalizar e regular serviços públicos delegados. Na prática, substituiu a antiga Arsec, órgão que existia anteriormente. Agora, é justamente essa nova agência que aparece chancelando a atualização de valores em um contrato duramente criticado pela população e por setores políticos. Segundo a ata da reunião ordinária da Diretoria Reguladora, o processo foi aberto a pedido da própria concessionária. A CS Mobi solicitou o reajuste anual da CAI, e o caso foi analisado com base em parecer técnico interno. No voto, a diretoria afirmou não ter identificado inconsistências nos índices empregados, nos parâmetros adotados ou na metodologia utilizada. Com isso, os diretores acompanharam o parecer técnico e homologaram os índices, critérios e valores apurados para aplicação do reajuste. A aprovação foi unânime. O problema é que a decisão ocorre em meio a um cenário de forte desgaste popular. A CS Mobi já é alvo de críticas pelo estacionamento rotativo, pelo contrato de concessão e pelo impacto financeiro ao município. Mesmo assim, conseguiu aval da agência municipal para reajustar valores previstos no contrato. A tentativa de jogar a conta exclusivamente no colo de Emanuel Pinheiro, portanto, esbarra em um fato incômodo: o contrato pode ter nascido em outra gestão, mas a aprovação do reajuste ocorreu agora, dentro de uma agência criada por Abilio e sob a responsabilidade institucional da atual administração. Na prática, a decisão reforça a cobrança por transparência. A Prefeitura e a Cuiabá Regula precisam explicar quanto esse reajuste representa, qual será o impacto real para os cofres públicos e por que um contrato tão questionado continua avançando com aval do próprio município. Enquanto Abilio tenta se descolar da herança política da CS Mobi, a publicação oficial mostra que sua gestão já não está apenas criticando o problema. Agora, também administra, regula e chancela os efeitos dele.