A gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) mantém um contrato de R$ 407.952,70 para compra de cadeiras destinadas à Secretaria Municipal de Economia de Cuiabá. O valor chama atenção em meio ao discurso de contenção de gastos adotado pela administração municipal. O extrato publicado na Gazeta Municipal desta terça-feira (23) trata do 1º termo de apostilamento ao contrato nº 085/2026/PMC, firmado com a empresa Milanflex Indústria e Comércio de Móveis e Equipamentos Ltda. Entre os itens do contrato, está a compra de 40 cadeiras giratórias presidente, modelo Plaxmetal/Brizza Presidente com Apoio de Cabeça, ao valor unitário de R$ 2.103,40. Só esse item soma R$ 84.136,00. O lote também inclui 230 cadeiras giratórias executivas com braços e encosto em tela, modelo Plaxmetal/Brizza Executiva, ao custo de R$ 1.135,83 cada. O total desse item chega a R$ 261.240,90. Além disso, constam 70 cadeiras executivas fixas, estrutura em “S”, com braços e encosto em tela, modelo Plaxmetal/Brizza Executiva Aproximação “S”, ao valor unitário de R$ 893,94. O item soma R$ 62.575,80. Ao todo, a Prefeitura vai pagar R$ 407.952,70 pelas cadeiras. A publicação expõe uma contradição dentro da gestão Abilio. Enquanto o prefeito tenta sustentar um discurso de economia e moralização dos gastos públicos, a própria administração mantém despesas elevadas com mobiliário administrativo. O caso também pesa politicamente porque a Prefeitura vem adotando postura rígida com servidores, inclusive com indeferimentos de pedidos de avanço funcional publicados na Gazeta. Na prática, enquanto trabalhadores enfrentam negativas para progressão na carreira, a máquina pública aparece bancando cadeiras executivas e modelos presidente que ultrapassam R$ 2 mil por unidade. Mesmo que o contrato tenha origem em procedimento formal, o desgaste é evidente. Em uma cidade que convive com problemas na saúde, na educação, na infraestrutura e na assistência social, a compra de cadeiras de alto valor levanta questionamentos sobre prioridade. A gestão pode até alegar regularidade administrativa, mas terá dificuldade para explicar à população por que há dinheiro para cadeiras de mais de R$ 2 mil enquanto serviços essenciais seguem sob cobrança diária. O episódio reforça a imagem de uma administração que exige sacrifício da ponta, mas mantém gastos confortáveis na estrutura interna da Prefeitura.
"GESTÃO DO CONFORTO" Prefeitura paga até R$ 2 mil por cadeira e contrato passa de R$ 407 mil
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