TREM DISTANTE Cuiabá pode ficar sem trem de novo enquanto governo deve ficar só olhando para a Rumo sem "rumo"

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TREM DISTANTE Cuiabá pode ficar sem trem de novo enquanto governo deve ficar só olhando para a Rumo sem "rumo"

Cuiabá corre o risco de continuar fora do mapa ferroviário de Mato Grosso. Mesmo com contrato prevendo a chegada dos trilhos até a Capital, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) admitiu que a concessionária Rumo enfrenta dificuldades para avançar no projeto e colocou os juros altos como uma das justificativas para o atraso.

A fala foi dada no sábado, 20 de junho, durante a entrega da primeira etapa da Ferrovia Estadual, em Dom Aquino. Pivetta afirmou que o contrato prevê a expansão até Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, mas, ao mesmo tempo, reconheceu que a empresa apresentou ao Estado problemas no fluxo de caixa por causa do aumento do custo do dinheiro.

“Nós temos um contrato, e isso é do Estado com a Rumo, para os trilhos chegarem em Cuiabá e seguirem para Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. E nós vamos cobrar esse contrato”, disse.

O problema é que cobrar contrato não é gesto político nem favor do governo. É obrigação. Se a empresa assumiu a concessão, precisa cumprir o que assinou. Juros altos, dificuldade de caixa ou mudança no cenário econômico não podem servir como desculpa automática para empurrar Cuiabá novamente para o fim da fila.

Ao tentar explicar a situação da Rumo, Pivetta dá margem para a interpretação de que o governo já prepara o terreno para aliviar a cobrança sobre a concessionária. A Capital, que historicamente ficou fora da malha ferroviária, pode mais uma vez assistir ao trem passar longe enquanto o governo trata atraso contratual como dificuldade de mercado.

O governador afirmou que as cláusulas do contrato são “muito bem estabelecidas” e que o Estado fez um bom acordo em nome da população. Justamente por isso, a cobrança precisa ser dura. Se o contrato é bom, ele deve ser cumprido. Se não for cumprido, o Estado precisa aplicar as medidas previstas, e não apenas justificar a situação da empresa.

Pivetta também disse acreditar que a redução dos juros pode destravar os investimentos. Mas Mato Grosso não pode depender apenas de boa vontade do mercado para ver a ferrovia chegar a Cuiabá. A população precisa de prazo, fiscalização e garantia de execução.

No discurso, o governo promete cobrar. Na prática, já começa a explicar o lado da empresa. Para Cuiabá, o risco é conhecido: ficar sem trem novamente.