SUSPEITA DE QUEIMA DE ARQUIVO - Hackers, sumiço de documentos e morte de servidor da TI entram na mira da CPI da Saúde

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SUSPEITA DE QUEIMA DE ARQUIVO - Hackers, sumiço de documentos e morte de servidor da TI entram na mira da CPI da Saúde

A CPI da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso vai investigar uma sequência de fatos considerados graves e suspeitos envolvendo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT): um ataque hacker que teria destruído arquivos da pasta, o possível desaparecimento de documentos que poderiam ser usados nas investigações e a informação de que um servidor ligado à área de Tecnologia da Informação teria morrido por suicídio no mesmo período. O caso ganhou contornos ainda mais explosivos após reportagem do PNB Online apontar que um ataque hacker ocorrido em março teria atingido arquivos da SES e comprometido documentos de interesse da CPI. Segundo a publicação, a secretaria teria perdido cerca de 200 terabytes de arquivos, incluindo auditorias internas, relatórios e planilhas de empresas investigadas na Operação Espelho, como LGI Médicos, Bone Medicina Especializada e Intensive Care. A coincidência entre o ataque cibernético, o suposto apagamento de documentos e a morte de um servidor da área de TI acendeu o alerta entre os membros da comissão. Para a CPI, tudo precisa ser investigado com perícia técnica, já que há suspeita de que informações importantes possam ter sido apagadas justamente no momento em que a Assembleia avançava sobre possíveis irregularidades na saúde pública.O presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), afirmou nesta quarta-feira (3) que vai propor a contratação de uma perícia técnica para apurar o caso. Segundo ele, Cuiabá conta com profissionais capacitados para esclarecer se houve perda de dados, destruição de documentos ou qualquer tentativa de apagar provas.“Nós temos reunião hoje com os membros da CPI e eu vou propor que a gente peça uma perícia técnica. Nós temos em Cuiabá peritos técnicos capacitados que podem perfeitamente elucidar tudo isso. Esse fato é gravíssimo”, afirmou Wilson.Ao ser questionado sobre a informação de que um responsável pela área de TI teria morrido por suicídio, Wilson confirmou que a CPI recebeu o relato e classificou a situação como ainda mais grave.“Tem essa informação? Tem. É mais grave ainda? É muito mais grave do que o que vocês estão ouvindo. É muito mais grave”, declarou.A CPI investiga supostas irregularidades na SES, especialmente durante o período da pandemia da Covid-19. Segundo Wilson, a pasta movimentou quase R$ 30 bilhões nos últimos sete anos, e a comissão quer revelar o modo de operação de possíveis crimes praticados dentro da secretaria.O deputado também voltou a criticar o uso de pagamentos por indenização. Conforme Wilson, um Termo de Ajustamento de Conduta assinado em 27 de maio de 2019 com o Ministério Público tinha como objetivo principal acabar com esse tipo de pagamento, mas a prática teria continuado dentro da SES.“O TAC tinha vários objetivos, mas o principal deles era pôr um ponto final nos pagamentos por indenização. E aconteceu justamente o contrário. Até hoje, dia 3 de junho de 2026, a Secretaria Estadual de Saúde prioriza os pagamentos por indenização, evita realizar licitações, evita usar o instituto da dispensa de licitação e vai direto ao pagamento por indenização”, disse.Wilson afirmou que a CPI não vai recuar diante das dificuldades e que todos os fatos serão investigados, incluindo o ataque hacker, o possível sumiço de documentos e a informação sobre a morte do servidor da TI.“Nós não vamos parar, não vamos nos intimidar com os obstáculos, com as pedras nesse caminho”, declarou.Nesta quarta-feira, a CPI recebe os delegados José Ricardo Garcia Bruno e Henrique Trevisan, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). Eles foram responsáveis pela primeira fase da Operação Espelho, deflagrada em 2021, que investigou suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos ligados à saúde durante a pandemia.Wilson elogiou a atuação dos delegados e disse que os dois agiram com independência, correção e técnica.“Hoje nós vamos ouvir os dois delegados que realizaram a Operação Espelho e eu quero aqui, de antemão, já dizer que foi muito bem feita a Operação Espelho. Os dois profissionais agiram com correção, com independência, tecnicamente”, afirmou.A comissão também pretende avançar sobre empresários, ex-secretários, o atual secretário e adjuntos da SES. Segundo Wilson, a CPI já ouviu representantes da Controladoria-Geral do Estado e procuradores, mas ainda quer ouvir o procurador-geral do Estado, que está de férias.“Agora queremos ouvir os empresários que fizeram parte dessa quadrilha e depois vamos ouvir os agentes, o ex-secretário de Estado, o atual secretário, vários secretários adjuntos e vamos prosseguir”, completou.A Secretaria de Estado de Saúde informou ao PNB Online que registrou boletim de ocorrência, comunicou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados e que os dados afetados foram recuperados por mecanismos de contingência, redundância e recuperação. A pasta também afirmou que não houve pagamento ao hacker.Mesmo assim, para a CPI, o episódio precisa ser esclarecido ponto a ponto. A suspeita é grave: documentos que poderiam ajudar a revelar irregularidades milionárias na saúde podem ter desaparecido justamente quando a comissão começava a apertar o cerco.

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