De R$ 385 mil a R$6,3 milhões : patrimônio de Faissal dispara antes de operação da PF
Alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8), o deputado estadual Faissal Calil (PL) viu seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral disparar 1.537% entre 2010 e 2022. O salto chama atenção em meio à investigação que apura um suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro em Mato Grosso.
Conforme dados da plataforma DivulgaCand, Faissal informou possuir R$ 385 mil em bens em 2010, quando disputou sua primeira eleição, ainda pelo PSB. Doze anos depois, em 2022, já reeleito deputado estadual pelo PL, o patrimônio declarado chegou a R$ 6.302.483,84.
Na primeira declaração, o então candidato informou ter dois apartamentos, parte de uma embarcação, um terreno às margens do Lago de Manso e uma empresa de advocacia. Já em 2022, a lista de bens ficou bem mais robusta.
Entre os itens declarados naquele ano aparecem R$ 800 mil em dinheiro em espécie, três casas no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, um apartamento em Balneário Camboriú avaliado em R$ 1,120 milhão, um apartamento em São Paulo de R$ 632,6 mil e uma área rural em Poconé avaliada em R$ 2 milhões.
Também constam na declaração um terreno no bairro São João Del Rei, em Cuiabá, avaliado em R$ 200 mil, um Toyota Corolla Cross de R$ 163 mil, além de poupanças, aplicações financeiras, depósitos bancários e participação em empresa.
A explosão patrimonial ocorreu no mesmo período em que Faissal consolidou sua carreira política. Ele disputou a primeira eleição em 2010, ficou na suplência, foi eleito vereador por Cuiabá em 2012 e chegou à Assembleia Legislativa em 2018.
Agora, o deputado está no centro da Operação Gemini, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da venda de sentenças em Mato Grosso. Além de Faissal, também foram alvos o desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Dirceu dos Santos, e o advogado Bruno Oliveira Castro.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema teria movimentado mais de R$ 3,2 milhões. As investigações tiveram início a partir de dados extraídos de celulares, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas com o Conselho Nacional de Justiça.
Segundo a apuração, Faissal seria pessoa de confiança de Dirceu dos Santos e teria atuado como uma espécie de “braço operacional” do desembargador afastado. O deputado, que é advogado, trabalhou no gabinete do magistrado antes de assumir mandato eletivo.
Em rápida entrevista à imprensa, Faissal negou manter relação atual com Dirceu e afirmou que perdeu contato com o desembargador e com o Poder Judiciário após ser eleito deputado estadual, em 2018.
Durante a operação, agentes da Polícia Federal apreenderam o celular do parlamentar. O aparelho será analisado e poderá ajudar a PF a avançar nas investigações sobre o suposto esquema.