Existe uma distância abissal entre o marketing oficial e a realidade que o povo de Cuiabá e Várzea Grande vive todos os dias nas paradas de ônibus. A decisão do ex-governador Mauro Mendes de sepultar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para impor o BRT não foi apenas um erro técnico ou administrativo; foi uma escolha política que priorizou o retrocesso em detrimento da dignidade da população. E essa escolha vai custar caro.
A conta dessa manobra é, antes de tudo, um desrespeito ao dinheiro público. O VLT não era uma promessa vaga de campanha. Ele estava 70% pronto, com os vagões comprados, modernos e enferrujando sob o sol enquanto o governo batia cabeça e costurava justificativas para mudar o modal. Jogar fora uma estrutura desse porte para entregar o BRT é, na prática, tentar vender o velho ônibus maquiado como se fosse a salvação da mobilidade urbana. O cidadão da Baixada Cuiabana sabe o que é andar de ônibus; ele conhece o calor, o atraso e a precariedade. O que foi prometido era evolução; o que foi entregue é o mesmo do mesmo.
Mas o contraste que realmente indigna e mostra a inversão de prioridades deste grupo político é o destino dado aos investimentos e aos esforços do Estado. Enquanto a população da capital e de Várzea Grande perdeu o direito a um transporte moderno, rápido e sustentável sobre trilhos, o governo não mediu esforços para viabilizar projetos como o autódromo internacional.
A mensagem que o ex-governador deixa para a história é cristalina: para a diversão de milionários acelerarem seus carros de luxo em pistas de última geração, sobram agilidade, recursos e vontade política. Para o trabalhador que acorda às 5h da manhã e precisa cruzar a ponte para garantir o sustento da família, resta o velho ônibus de sempre, rebatizado com uma sigla pomposa. É a política que governa para os poucos, ignorando o sofrimento dos muitos.
Histórias como essa não se apagam com publicidade paga ou discursos ensaiados. O asfalto do BRT pode cobrir os trilhos que foram arrancados, mas não apaga a memória do eleitor. Destruir um projeto de alta tecnologia que já estava praticamente pago e executado para beneficiar o lobby do transporte coletivo tradicional é uma marca indelével.
O ex-governador Mauro Mendes subestimou a inteligência do povo de Mato Grosso. O preço político de ter tirado o VLT da população será cobrado onde o cidadão tem o mesmo peso que qualquer bilionário: nas urnas. A história não costuma ser generosa com líderes que escolhem pistas de corrida para poucos em vez de trilhos de desenvolvimento para todos.
O preço do retrocesso: Por que o fim do VLT vai custar caro politicamente para Mauro Mendes
·
2 minutos de leitura