O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes, optou por partidarizar e elevar o tom político na discussão sobre as graves falhas estruturais da BR-174 (trecho estadualizado). Em vez de apresentar justificativas técnicas e fundamentadas à auditoria aberta pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Mendes gravou um vídeo com ataques diretos e termos agressivos ao senador Wellington Fagundes. A postura inflamada do ex-gestor é vista por analistas como uma estratégia para desviar o foco da denúncia de vereadores da região, que apontam que a rodovia, recém-asfaltada em sua gestão, já está se desmanchando em menos de um ano de uso.
A reação intempestiva ocorreu após Wellington Fagundes participar de uma audiência pública liderada pelo presidente do TCE, Sérgio Ricardo, que reuniu parlamentares e vereadores de seis municípios afetados. Na ocasião, a corte de contas sinalizou que investigará possíveis crimes de improbidade administrativa e malversação de recursos públicos na obra. Sem respostas claras para o asfalto que esfarela e coloca vidas em risco entre Juína e Vilhena, o ex-governador preferiu focar o discurso em contratos antigos do DNIT e no período eleitoral, esquivando-se da responsabilidade fiscal imediata exigida pelos órgãos de controle.
Em contrapartida, Fagundes rebateu as críticas com equilíbrio e ironia, trazendo à tona o próprio tom crítico da atual gestão estadual. O senador relembrou que até mesmo o governador em exercício, Otaviano Piveta, e o secretariado estadual admitiram recentemente gargalos de eficiência na condução de obras públicas no estado, citando como exemplo o polêmico caso do Portão do Inferno. Ao devolver a provocação com dados técnicos e institucionais, o senador deixou Mendes isolado em um palanque de narrativas, evidenciando que a população do norte de Mato Grosso ainda aguarda uma explicação real para o dinheiro público que sumiu nos atoleiros e buracos da nova estrada.
Mauro Mendes “em fúria calculada” politiza debate sobre rodovia esburacada para evitar explicações técnicas ao TCE
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