A licitação que instituiu uma comissão de servidores para análise técnica e sensorial — incluindo degustação — de café “tipo superior” servido no Palácio Paiaguás expõe uma escolha administrativa, no mínimo, questionável do governo Mauro Mendes. A medida, formalizada pela Portaria nº 120/2025, foi noticiada inicialmente pelo portal Eh Fonte e confirmada pelo jornal Estadão, detalhando critérios sofisticados como aroma, sabor, textura, ausência de off-flavors e inspeção minuciosa da embalagem, peso e tipo de torra do produto destinado ao consumo interno da sede do Executivo estadual.
Embora o procedimento possa encontrar respaldo formal na legislação de compras públicas, o problema é político, simbólico e moral. Em um cenário de restrições orçamentárias e demandas urgentes nas áreas de saúde, educação e assistência social, o rigor técnico aplicado à escolha do café servido no núcleo do poder contrasta com a precariedade enfrentada pela população nos serviços essenciais. A Secretaria de Comunicação do Estado (Secom-MT) foi procurada, mas não se manifestou até a publicação da reportagem, o que reforça a percepção de desconexão entre as prioridades do Palácio Paiaguás e a realidade vivida pelos cidadãos mato-grossenses.