O Solo Fértil da Contradição: O "Novo" Balbinotti e as Velhas Companhias

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O Solo Fértil da Contradição: O "Novo" Balbinotti e as Velhas Companhias

Entre a moralidade do discurso e o pragmatismo de Miami: como Odilio Balbinotti equilibra a bandeira da ética com o cafezinho ao lado de Valdemar Costa Neto.

Odilio Balbinotti, o bilionário das sementes que agora busca plantar sua influência no Senado como suplente de José Medeiros, parece ter descoberto um novo tipo de fertilizante político: a amnésia seletiva. Enquanto prega a purificação de Brasília e o fim da corrupção, Balbinotti não viu problemas em ser flagrado em Miami em uma "cúpula" amistosa com Valdemar Costa Neto, o longevo comandante do PL e figura central do Mensalão. Para quem se apresenta como o paladino da retidão, buscar abrigo sob o guarda-chuva de um dos maiores símbolos da política de balcão do país é, no mínimo, um exercício de contorcionismo ético digno de aplausos — ou de muita desconfiança.
A contradição de Balbinotti expõe o abismo entre o marketing do "homem de bem" e a realidade das alianças de poder. Ao caminhar lado a lado com o mentor dos esquemas que ele jura combater, o pré-candidato demonstra que sua indignação contra a corrupção possui um filtro bastante conveniente: ela termina onde começam os interesses partidários e as conveniências de Miami. No fim das contas, Balbinotti prova que, no solo da política, ele é um produtor experiente: sabe exatamente como cultivar um discurso de honestidade para o público, enquanto aduba suas relações com o que há de mais arcaico no sistema.