DOIS PESOS Abílio "acha que é agente de trânsito”, bate-boca com apoiadores de Lula, por causa de vaga, mas ignora carro de Samantha em vaga preferencial

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DOIS PESOS Abílio "acha que é agente de trânsito”, bate-boca com apoiadores de Lula, por causa de vaga, mas ignora carro de Samantha em vaga preferencial

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), parece ter adotado dois pesos e duas medidas na "fiscalização" de veículos estacionados em frente ao Palácio Alencastro. Na noite desta quinta-feira, 10 de setembro, o gestor questionou um casal sobre a existência de cartão que autorizasse o uso de uma vaga preferencial após ouvir gritos de “13, é Lula”.

Irritado com a manifestação política, Abílio praticamente incorporou um agente de trânsito e decidiu cobrar pessoalmente a identificação necessária para ocupar a vaga. A preocupação repentina com o cumprimento das regras, porém, contrasta com a postura adotada diante de um veículo totalmente adesivado com propaganda eleitoral de sua esposa, a primeira-dama e candidata a deputada estadual Samantha Iris (PL).

O carro de campanha de Samantha também foi flagrado estacionado em uma vaga especial em frente à sede da Prefeitura. Na ocasião, não houve registro de Abílio abordando o responsável pelo automóvel ou perguntando se havia autorização para ocupar o espaço.

A diferença de tratamento levanta uma pergunta inevitável: a fiscalização vale para todos ou depende do adesivo político estampado no veículo? Quando o grito é “Lula”, o prefeito cobra até o cartão da vaga preferencial. Quando o carro promove a candidatura da própria esposa, a disposição para fiscalizar aparentemente desaparece.

Além da questão relacionada à vaga, o episódio expõe outra contradição. Abílio já endureceu o discurso contra veículos com propaganda eleitoral nas proximidades do Palácio Alencastro, mas o automóvel adesivado de Samantha permaneceu diante do prédio público sem provocar a mesma reação.

A Prefeitura de Cuiabá ainda não se manifestou sobre a diferença de tratamento nem esclareceu se o veículo ligado à campanha da primeira-dama possuía autorização para utilizar a vaga especial.