A estratégia do Governo do Estado diante da Assembleia Legislativa parece se resumir a tentar resolver por ofício o que segue sem resposta convincente, evidenciada pela ausência do procurador Hugo Fellipe Martins de Lima na comissão parlamentar que investiga o acordo milionário com a Oi nesta segunda-feira (18.05). Indicado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) como alguém que "não participou de qualquer ato relacionado ao acordo", o recuo do procurador contrasta com seu histórico na linha de frente da intervenção na saúde pública de Cuiabá. Aquela medida, comandada pelo ex-governador Mauro Mendes, teve claro caráter político e serviu como uma poderosa arma para atacar seu principal adversário local, o prefeito Emanuel Pinheiro. Naquela época, Hugo atuava como o verdadeiro "leão" e "tigrão" do esquema de Mendes, cheio de coragem e moral, mas, diante dos questionamentos do Legislativo sobre suas próprias conexões societárias, a valentia deu lugar ao silêncio.
Hugo Fellipe virou o personagem central da crise porque seu nome escancarou uma ligação incômoda dentro da cúpula da Secretaria de Fazenda (Sefaz), envolvendo diretamente a equipe do ex-governador Mauro Mendes — que deixou o cargo no início de abril para se candidatar ao Senado. O procurador era o braço direito do ex-secretário Rogério Gallo, que também desimpediu a cadeira recentemente com a reforma política. Hugo aparece formalmente ligado a pelo menos cinco empresas privadas, algumas delas atuando na área de recuperação de créditos tributários, um setor extremamente sensível dentro da estrutura fazendária do Estado. O detalhe mais grave reside no fato de Hugo manter sociedade empresarial direta com Lucimara Polisel Gonçalves, esposa de Rogério Gallo, em CNPJs abertos entre 2022 e 2024, contrariando as declarações do próprio ex-secretário na Assembleia, que afirmou categoricamente desconhecer que seu assessor possuía empresas em seu nome.
Essa teia de relações comerciais e o esvaziamento do depoimento nesta segunda-feira aumentam drasticamente a pressão sobre os remanescentes do grupo político de Mauro Mendes, deixando evidente o desconforto em explicar os bastidores da antiga Sefaz. A contradição entre o perfil combativo que o procurador ostentava para blindar as ações políticas do ex-governador no município e a atual necessidade de se esconder atrás de justificativas burocráticas alimenta as suspeitas dos parlamentares. Sem explicações claras sobre como o principal assessor do secretário mantinha negócios com a esposa do chefe, o silêncio do ex-interventor agora fala por ele e deixa expostas as entranhas de uma gestão que ruiu por dentro.
Do "Tigrão" da Intervenção ao Silêncio no Caso Oi: O Sumiço de Hugo Fellipe
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