A proximidade da renúncia do governador Mauro Mendes é recebida por diversos setores da sociedade com um indisfarçável sentimento de alívio. Para muitos críticos, o governo que se despede priorizou agendas que favorecem grandes grupos econômicos em detrimento das necessidades básicas do povo e, especialmente, dos servidores públicos, classe pela qual o governador nunca demonstrou simpatia ou apreço, mantendo uma postura de distanciamento e falta de valorização. O rastro deixado inclui o polêmico projeto do BRT — que substituiu o VLT e deixou cicatrizes urbanas em Cuiabá e Várzea Grande — e medidas restritivas que prejudicaram severamente os pescadores do Rio Cuiabá. Soma-se a isso a polêmica gestão da BR-163 e das MTs: o Estado assumiu o controle e contraiu empréstimos bilionários, mas a realidade é de rodovias entregues à iniciativa privada e todas rigorosamente pedagiadas, pesando no bolso do cidadão.
Além do cerco dos pedágios e do arrocho contra o servidor, a gestão ambiental encerra seu ciclo sob o peso de graves denúncias de destruição. A permissividade com o garimpo na região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e a degradação de locais icônicos, como o Portão do Inferno e o Morro de Santo Antônio, tornaram-se símbolos de uma administração que sacrificou o patrimônio natural. Ao contabilizar os últimos dias desta gestão, o sentimento que prevalece em grande parte do estado não é de saudade, mas de expectativa por um futuro que recupere o respeito pelos recursos públicos, pelo meio ambiente e, fundamentalmente, pela dignidade de quem serve à população mato-grossense.
Contagem regressiva: Faltam 28 dias para o fim de uma era marcada por contrastes e polêmicas em Mato Grosso
·
1 minuto de leitura