Após reclamar de atestados, gestão Abílio é obrigado a conceder licença-prêmio para 55 servidores

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Após reclamar de atestados, gestão Abílio é obrigado a conceder licença-prêmio para 55 servidores

A crise de pessoal na saúde pública de Cuiabá voltou a acender o sinal de alerta na gestão do prefeito Abílio Brunini. Poucos dias após o chefe do Executivo reclamar do aumento no número de atestados médicos apresentados por servidores, a Secretaria Municipal de Saúde publicou portaria concedendo licença-prêmio para 55 profissionais da pasta.

A medida consta na Gazeta Municipal desta sexta-feira (19). A licença para capacitação, a título de licença-prêmio, foi deferida para servidores de diferentes cargos, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e auxiliares municipais.

A licença-prêmio é um direito previsto aos servidores que cumprem os requisitos legais. O problema, no entanto, é o impacto administrativo em uma área que já enfrenta reclamações constantes por falta de profissionais, demora no atendimento, sobrecarga nas unidades e dificuldade para manter escalas completas.

O novo afastamento em massa ocorre depois de Abílio afirmar que as mudanças nas regras do Prêmio Saúde provocaram aumento expressivo na apresentação de atestados médicos. Na ocasião, o prefeito chegou a dizer que o número de atestados teria crescido 300% após a alteração na forma de desconto do benefício.

A fala expôs um desgaste interno entre a gestão e os servidores da Saúde. De um lado, a Prefeitura fala em controlar ausências e garantir atendimento à população. Do outro, servidores reclamam de sobrecarga, perda salarial, pressão e adoecimento dentro da própria rede municipal.

Agora, com mais 55 profissionais autorizados a se afastar por licença-prêmio, a pergunta que fica é: o que está acontecendo dentro da Saúde de Cuiabá para tantos servidores deixarem, ainda que temporariamente, a linha de frente da gestão?

A situação coloca em xeque a capacidade da Prefeitura de planejar a reposição de pessoal e evitar que o peso recaia sobre quem permanece nas unidades. Quando médicos, enfermeiros e técnicos se afastam, o impacto não fica apenas na folha de ponto: chega diretamente ao paciente que espera consulta, atendimento, exame ou medicamento.

Mesmo sendo um direito legal, a concessão das licenças em meio ao discurso contra a “farra dos atestados” cria um constrangimento político para Abílio. A gestão que cobra presença dos servidores também precisa explicar como pretende manter a rede funcionando diante de tantos afastamentos autorizados oficialmente pela própria Secretaria de Saúde.

No fim, o episódio revela um problema maior que a simples discussão sobre atestados ou licença-prêmio. A Saúde de Cuiabá parece enfrentar um ambiente de esgotamento, perda de confiança e dificuldade de retenção de servidores, enquanto a população segue cobrando atendimento digno nas unidades municipais.