O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) depois de emagrecer com acompanhamento médico e ajuda de tratamento medicamentoso, o gestor agora parece se sentir confortável para mandar os outros emagrecerem.
A fala mais recente foi direcionada ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), a quem Abilio mandou perder peso. A provocação, além de deselegante, chama atenção pelo contraste: o próprio prefeito passou por um processo de emagrecimento com acesso a estrutura, orientação médica e medicamentos que não fazem parte da realidade da maioria da população.
E é justamente aí que mora a crítica. Muitas pessoas vivem com obesidade não por falta de vontade, mas por falta de dinheiro, falta de acesso a médicos, exames, remédios, nutricionistas, psicólogos e atividades físicas adequadas. Outras simplesmente não desejam se encaixar no padrão corporal que políticos tentam impor em tom de piada.
O que para Abilio virou motivo de deboche, para muita gente é uma luta diária. Obesidade é uma questão de saúde pública, não palanque para piada ou ataque político.
A pergunta que fica é: se tirar o tratamento caro e o acompanhamento médico, Abilio conseguiria manter o mesmo resultado apenas com a estrutura oferecida hoje pelo SUS municipal? A população obesa de Cuiabá tem acesso ao mesmo cuidado que o prefeito teve?
E mais: cadê o programa Cuiabá Mais Leve?
A promessa era atender pessoas que sofrem com obesidade e precisam de apoio real para emagrecer com saúde. Mas, até agora, a gestão parece mais preocupada em transformar o tema em provocação política do que em política pública efetiva.
Enquanto o prefeito usa o peso dos outros como piada, há cuiabanos esperando consulta, exames, orientação nutricional e tratamento digno. Gente que não tem dinheiro para bancar medicamentos caros nem acompanhamento particular.
O problema não é Abilio ter emagrecido. O problema é emagrecer com acesso privilegiado e depois agir como se todo mundo tivesse as mesmas condições.
Quem ocupa a cadeira de prefeito deveria cobrar menos o corpo dos outros e entregar mais saúde pública para quem precisa. Porque governar não é apontar dedo para a balança alheia. É garantir que a população tenha oportunidade real de cuidar da própria saúde.