O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), tentou rebater as críticas sobre o uso político da Marcha para Jesus, mas acabou recorrendo a uma comparação sem nexo ao citar Carnaval e Parada Parada LGBT+ como exemplos de eventos também politizados.
A Marcha, realizada no último sábado (20), contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, além de outros políticos ligados à direita. Mesmo assim, Abilio negou motivação eleitoral e disse que cristãos também têm o direito de levar a fé para a vida pública.
O problema não está na fé de ninguém. O ponto é o uso de um evento religioso como vitrine política em ano pré-eleitoral. Comparar isso com Carnaval ou Parada Parada LGBT+ é uma tentativa de desviar o foco da crítica principal.
Ao dizer que “tem gente que usa qualquer coisa para misturar política”, Abilio tenta normalizar a presença de lideranças partidárias em um ato religioso como se todas as manifestações tivessem o mesmo peso, a mesma finalidade e a mesma estrutura. Não têm.
A defesa do prefeito soa mais como justificativa para um palanque já montado do que como explicação convincente. Fé é legítima. Política também. Mas quando as duas se misturam em evento público com pré-candidato nacional, a crítica deixa de ser perseguição e passa a ser questionamento necessário.