Sob o comando firme do deputado Wilson Santos, a CPI da Saúde avançou nesta quarta-feira (13) sobre a complexa rede de empresas que operam na rede hospitalar de Mato Grosso. O parlamentar expôs uma "coincidência" que desafia a lógica do mercado: cinco grandes empresas que prestam serviços ao Estado compartilham o mesmo contador e possuem sócios que se alternam entre as diretorias. Essa estrutura, segundo a investigação, teria facilitado a formação de cartel e o domínio de mercados em hospitais regionais estratégicos.
As auditorias apresentadas revelam que empresas como Meditrauma, Curat, Boni e LB Serviços Médicos operam de forma coordenada, eliminando a concorrência e garantindo contratos milionários. O deputado Wilson Santos destacou que muitas dessas organizações, mesmo após serem alvos de operações policiais por desvios de recursos e inexecução de serviços, permanecem na folha de pagamento do Estado. A investigação aponta que a falta de licitação impede a fiscalização rigorosa, permitindo até o pagamento por médicos que nunca compareceram aos plantões.
Um ponto crítico levantado por Wilson Santos é a situação de abandono da população enquanto o dinheiro flui livremente para os "amigos do rei". O deputado citou relatos de pacientes que aguardam cirurgias vasculares há quase 10 anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS), contrastando a lentidão do atendimento com a agilidade dos pagamentos indenizatórios feitos pela SES-MT. Para o presidente da CPI, é inaceitável que o Estado priorize o lucro de grupos empresariais suspeitos em detrimento da vida do cidadão.
A estratégia da CPI agora inclui a análise de novos contratos, como a gestão do Hospital Central pelo Instituto Albert Einstein, que também estaria recebendo repasses milionários sob moldes questionados pelos deputados. O deputado Lúdio Cabral e outros membros da comissão reforçaram a necessidade de frear o que chamaram de "farra das indenizações". A pressão sobre o secretário Gilberto Figueiredo aumenta, uma vez que ele teria ignorado dezenas de recomendações técnicas da Controladoria-Geral para regularizar os contratos.
A CPI da Saúde comandada por Wilson Santos já é considerada uma das mais técnicas e contundentes da história da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Com foco na transparência e no combate à corrupção, a comissão se consolida como a última barreira de defesa do patrimônio público contra o uso indevido de verbas destinadas à saúde. O objetivo é claro: garantir que o dinheiro público chegue ao leito do hospital e não ao bolso de articuladores políticos e empresários.
"Teia de Conluio: CPI da Saúde desmascara grupo de empresas que domina hospitais de M
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