A política de Várzea Grande assiste a um movimento que desafia a lógica da fidelidade partidária e coloca o ex-secretário Silvio Fidélis em uma zona de isolamento político sem precedentes. Após anos servindo como braço direito e homem de estrita confiança nas gestões de Lucimar Campos e, mais recentemente, de Kalil Baracat — que foi derrotado na tentativa de reeleição —, Fidélis surpreendeu aliados e adversários ao aceitar o convite da prefeita eleita, Flávia Moretti, para assumir a Secretaria de Governo. O gesto, interpretado pelo antigo grupo como uma "traição de gabinete", carimba o secretário como um "pária" entre os caciques do União Brasil e do MDB, que agora o enxergam como um articulador movido apenas pela sobrevivência no poder.
Do outro lado da trincheira, a nomeação de Fidélis nasce sob o signo da desconfiança dentro do próprio núcleo duro de Flávia Moretti. Ao acolher o principal operador da gestão derrotada, a atual prefeita introduz um elemento estranho em sua base, gerando o temor de que quem abandonou o grupo de Kalil e Jaime Campos no momento da derrota fará o mesmo na primeira instabilidade do novo governo. Sem o respaldo dos antigos padrinhos e sob o olhar vigilante e cético dos novos aliados, Silvio Fidélis caminha sobre ovos, tornando-se uma figura politicamente órfã em uma Várzea Grande que não costuma perdoar quem transita com tanta facilidade entre campos inimigos.
Silvio Fidélis na Corda Bamba: Entre a Pecha de Traidor e a Falta de Confiança no Novo Governo
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