A vereadora de Cuiabá e deputada estadual eleita Samantha Iris (PL) afirmou que cristãos não podem ser de esquerda e disse que quem pensa diferente “ou não conhece a Bíblia ou não conhece a esquerda”. A declaração transforma uma divergência política em julgamento sobre a fé alheia — como se uma parlamentar pudesse definir quem é ou não cristão.
Jesus não pertence a um partido nem pode ser usado como propriedade de uma corrente política. Os evangelhos podem inspirar diferentes interpretações sobre justiça, pobreza e direitos sociais. Isso não autoriza Samantha a tratar cristãos de esquerda como pessoas enganadas que precisam ser “libertadas” por Deus.
A vereadora também associou a esquerda à defesa de facções criminosas, drogas e aborto, sem apresentar exemplos ou distinguir posições e grupos diferentes. É legítimo defender convicções religiosas e criticar propostas políticas. O que não cabe é usar a fé para desqualificar milhões de pessoas e reivindicar para um lado o monopólio de Jesus.