A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou um novo relatório histórico que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A decisão contesta oficialmente a antiga versão do regime de que o político teria sido vítima de um acidente automobilístico na Via Dutra. Com seis votos favoráveis e uma abstenção, os novos trabalhos do órgão desarticulam a narrativa que durou cinco décadas, abrindo caminho para a retificação da certidão de óbito de JK junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o registro definitivo de morte violenta causada pelo Estado.
O documento detalha que JK foi vítima de uma conspiração política elaborada para neutralizá-lo, já que ele era considerado um forte opositor e obstáculo aos planos do regime militar. A investigação apontou que o ex-presidente foi atraído para uma armadilha em um hotel por supostos emissários do governo da época, o que o fez mudar de ideia e viajar de carro em vez de avião. Depoimentos e laudos técnicos revisados indicam que o veículo de Kubitschek pode ter sido alterado mecanicamente e seu motorista, Geraldo Ribeiro, possivelmente sedado antes de perder o controle. Uma das testemunhas, um caminhoneiro que vinha logo atrás, confirmou ter visto o motorista já debruçado e desacordado sobre o volante instantes antes da colisão.
Ao todo, os peritos identificaram 37 fraudes na investigação original de 1976, que incluíram a adulteração da cena do crime pela chegada imediata de militares, o silenciamento de testemunhas e a falsificação de laudos médicos. A relatora do caso apontou que os legistas do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro envolvidos na autópsia de JK também participaram de outras fraudes notórias durante o período de exceção. Com a anulação da versão de acidente, o Estado brasileiro agora reconhece formalmente o atentado planejado contra um de seus presidentes mais emblemáticos, reescrevendo um dos episódios mais obscuros e debatidos da história do país.
Reviravolta histórica: Comissão conclui que ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar
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