Nomeado para a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Mato Grosso por indicação política ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), Joel Machado de Azevedo está no centro de uma controvérsia envolvendo a retomada imediata da área comunitária do Projeto de Assentamento Bojuí. A medida atinge diretamente 276 famílias beneficiárias da reforma agrária que, desde 1995, utilizam a área coletiva como complemento de renda — especialmente idosos, produtores com baixa fertilidade em seus lotes individuais e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Além do impacto econômico e social, o Conselho da comunidade sustenta que as formalidades procedimentais e regimentais do próprio INCRA não teriam sido observadas no processo administrativo que culminou na decisão de retomada. Segundo os representantes, pedidos de concessão de uso fundamentados na normativa interna da autarquia não foram devidamente apreciados, não houve fundamentação técnica individualizada suficiente e tampouco análise formal de impacto social antes da determinação de desocupação imediata. A justificativa apresentada pela superintendência estaria vinculada à intenção de destinar a área a possível assentamento de novas famílias, embora não haja divulgação de processo seletivo concluído nem cronograma público que justifique a urgência da medida. A comunidade defende a suspensão da decisão para garantir o devido processo administrativo, segurança jurídica e abertura de diálogo institucional antes de qualquer alteração definitiva na destinação da área.