O comunicado oficial da Prefeitura de Cuiabá, que informa o pagamento dos salários dos servidores públicos de julho “até as 23h59 do dia 31/07”, é mais do que um aviso técnico: é um retrato alarmante da fragilidade fiscal da gestão Abílio Brunini. Quando uma administração municipal precisa recorrer ao último minuto do prazo legal para quitar sua folha — no valor de R$ 83,2 milhões —, o sinal que se emite não é de compromisso com o funcionalismo, mas de colapso iminente na capacidade de honrar o básico. Isso ocorre após um semestre marcado por aumento de cargos comissionados, contratos milionários em áreas sensíveis e isenções de receitas como a extinção da taxa de lixo.
A sinalização pública de que a folha foi quitada no apagar das luzes é, sob qualquer análise técnica, um pedido de socorro fiscal disfarçado. Abílio gastou muito e mal, desequilibrando as finanças municipais ao priorizar interesses políticos de curto prazo em detrimento da sustentabilidade orçamentária. O resultado é um caixa pressionado, dependente de entradas pontuais e vulnerável à queda de arrecadação. Se o segundo semestre repetir o descompromisso com o ajuste fiscal, Cuiabá poderá testemunhar atrasos, cortes e colapsos ainda mais visíveis — começando pelos salários.