“Os sócios bilionários em Dubai: o convescote onde foi selado o futuro político de Mato Grosso”

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“Os sócios bilionários em Dubai: o convescote onde foi selado o futuro político de Mato Grosso”

No final de fevereiro e início de março de 2022, o governador Mauro Mendes embarcou para uma viagem internacional que oficialmente tinha como objetivo a participação na Expo Dubai — uma das maiores feiras de negócios e inovação do planeta. Segundo o governo, a missão visava ampliar as relações comerciais de Mato Grosso com países da Ásia e mostrar as potencialidades do estado no uso sustentável de seus recursos naturais. Mas, nos bastidores, essa viagem representou muito mais do que diplomacia comercial: foi ali, nos salões da Expo e nos jantares paralelos, que nasceu o projeto de reeleição de Mendes e se consolidou o grupo político que hoje comanda os rumos do estado.

Após o encerramento do evento, Mendes e a primeira-dama Virginia esticaram a viagem para as paradisíacas Ilhas Maldivas — de onde ela compartilhou registros luxuosos nas redes sociais. Enquanto isso, o comando do Executivo ficou sob responsabilidade do vice-governador Otaviano Pivetta, que até então não fazia parte do núcleo duro. Foi justamente nessa jornada entre Dubai e Maldivas que Pivetta foi integrado ao seleto grupo dos “sócios em Dubai”, ao lado de figuras como Cidinho Santos, Robério Garcia, Fabinho Garcia e Maurinho Carvalho. Entre reuniões discretas em lounges de hotel, conversas de bastidor e momentos de descontração sob o sol do Oriente Médio, o grupo definiu o mapa do poder: reeleger Mauro em 2022, preparar Pivetta para 2026 e manter o comando da máquina pública sob controle de poucos e bem posicionados aliados.

A hierarquia interna também ficou mais clara: Mauro no comando, o ex-suplente Cidinho Santos assumindo o posto de número dois, desbancando o outrora influente Maurinho Carvalho, que apesar da perda de protagonismo, continua com forte influência. Robério Garcia e seu filho Fabinho — o “logístico” do Palácio — completam a engrenagem. Desde então, o grupo opera como um conselho de administração de uma holding política bilionária, distribuindo cargos, mandatos e projetos. E agora, com Pivetta alçado a pré-candidato a governador e Mauro mirando o Senado, o convescote internacional de 2022 deixa de ser apenas uma curiosidade folclórica: foi ali, entre um drink exótico e uma reunião informal à beira da piscina, que o futuro político de Mato Grosso foi decidido por um punhado de homens em trajes de banho e olhos no poder.