PRESSÃO DE ABILIO Paula reúne 14 vereadores, mas reeleição não decola sem mudança no Regimento

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PRESSÃO DE ABILIO Paula reúne 14 vereadores, mas reeleição não decola sem mudança no Regimento

Mesmo com a pressão política feita nos bastidores pelo prefeito Abilio Brunini (PL), a presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL) não conseguiu viabilizar o caminho para disputar a reeleição da Mesa Diretora. Embora tenha reunido além dela, outros 13 vereadores em torno de sua articulação, o número ainda está longe dos 18 votos necessários para mudar o Regimento Interno da Casa e abrir brecha para uma nova candidatura.

O entrave é justamente o Regimento, que hoje não permite a reeleição da atual Mesa. Para que Paula possa disputar novamente, seria preciso aprovar uma alteração interna. Sem essa mudança, a articulação da base fica travada, mesmo com a movimentação direta do Palácio Alencastro para tentar garantir o comando do Legislativo.

Nos bastidores, a leitura é que Abilio entrou de vez no jogo para tentar eleger sua escolhida. O prefeito, que no passado fez discurso duro contra práticas políticas tradicionais e chegou a defender regras contra a reeleição da Mesa, agora atua para manter uma aliada no comando da Câmara. O discurso de moralidade de antes, segundo adversários, perdeu espaço para a conveniência política e para o temor de enfrentar um Parlamento mais independente.

Além da tentativa de mudar o Regimento, os vereadores também articulam alterar a data da eleição da Mesa Diretora, que hoje está prevista para agosto, empurrando a disputa para novembro. A mudança é vista como uma forma de ganhar tempo para reorganizar votos, reduzir resistências internas e tentar construir uma maioria que Paula ainda não tem.

Nesta segunda-feira, Dilemário Alencar (União) e Baixinha Giraldelli (Solidariedade) decidiram se aproximar do grupo de Paula. A movimentação, porém, não significa necessariamente apoio fechado à reeleição da presidente. Dilemário tenta se colocar como alternativa caso Paula não consiga os votos suficientes para viabilizar a própria candidatura.

A estratégia é clara: se Paula não alcançar os 18 votos para mudar o Regimento e nem reunir maioria para se manter no comando, Dilemário tenta surgir como plano B do grupo. O problema é que, entre os próprios colegas, há resistência ao nome dele. A avaliação nos bastidores é de que o vereador não agrega o suficiente e tem dificuldade de construir consenso dentro da Casa.
A eleição da Mesa virou um jogo de pressão, conveniência e sobrevivência política.