Quem assistiu à clássica novela "O Bem-Amado" certamente experimentou um forte sentimento de déjà-vu ao acompanhar a política de Mato Grosso. Nos bastidores de Cuiabá, a piada já está pronta: a interminável novela do BRT transformou o estado na Sucupira do Centro-Oeste. No papel principal, o ex-governador Mauro Mendes encarna perfeitamente o prefeito Odorico Paraguaçu: cheio de discursos pomposos, promessas mirabolantes e uma lábia afiada para garantir que "tinha os recursos nos cafundós do caixa" para assumir a BR-163 — para logo depois correr atrás do BNDES do presidente Lula pedindo mais de 5 bilhões de reais, deixando um rastro de poeira e promessas descumpridas, enquanto hospitais do interior e estradas precárias com menos de dois anos de asfalto expõem a fragilidade da gestão. Mendes agora renunciou para tentar uma vaga no Senado, deixando para trás a sua própria versão do famoso cemitério municipal que nunca consegue ser inaugurado.
Para que o espetáculo ficasse completo, Odorico precisava de seu fiel escudeiro, e Marcelo Padeiro vestiu o figurino de Dirceu Borboleta com perfeição. O ex-secretário e atual presidente da Nova Rota do Oeste atua como o assessor fraco de ideias, mas ágil no puxaquismo, que corre de um lado para o outro tentando justificar as trapalhadas do chefe. Com sua habitual arrogância misturada à subserviência política, Padeiro assume a liderança do "borboletário" da infraestrutura estadual, batendo no peito com bravura para criticar os 12 km de asfalto do ministro federal, enquanto tenta caçar, com sua rede de promessas, uma data definitiva para entregar as próprias obras.
O grande ápice dessa comédia pastelão é, sem dúvida, o BRT de Cuiabá e Várzea Grande, a cópia cuspida e escarrada do Cemitério de Sucupira. Se na ficção Odorico sofria porque ninguém morria para estrear o campo santo, na vida real a dupla Mendes e Padeiro padece do mal inverso: eles marcam, desmarcam e anunciou a inauguração dos ônibus articulados incontáveis vezes, mas a obra simplesmente se recusa a ganhar vida. O BRT mato-grossense virou um monumento ao "quase": os prazos expiram, os anos passam, os bilhões entram, mas o modal continua tão fantasmagórico quanto os potenciais clientes do prefeito Paraguaçu. Entre estradas esburacadas e fitas inaugurais que nunca são cortadas, o cidadão cuiabano assiste ao show se perguntando quando essa Sucupira pantaneira finalmente vai fechar as cortinas.
Odorico e Dirceu Borboleta em MT? A piada política que compara Mauro Mendes e Marcelo Padeiro a "O Bem-Amado" e MT em Sucupira
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