A fala do governador Mauro Mendes, que rotulou adversários como "vagabundos" e "inexperientes", levanta um questionamento inevitável: qual é a régua moral que ele utiliza para desqualificar figuras como Jaime Campos, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko? Ao blindar seu sucessor, Otaviano Pivetta, Mendes sugere que a "seriedade" no serviço público é privilégio exclusivo de quem reza em sua cartilha. Ora, se o governador não se considera um "vagabundo", por que os outros o seriam apenas por não serem seus submissos políticos?
A autoridade moral do governador para distribuir insultos desmorona diante de sua própria gestão, que coleciona falhas na segurança e na saúde da Baixada Cuiabana. Mais grave ainda é o silêncio sobre o escandaloso caso do suposto desvio de R$ 308 milhões da Oi, que teria parado em contas ligadas ao seu filho e a amigos próximos do governo — denúncia esta levada pelo ex-governador Pedro Taques à Procuradoria-Geral da República e à Justiça de Mato Grosso. Se Mauro Mendes se considera tão acima de qualquer suspeita, ele precisa explicar: por que um esquema de tal magnitude floresceu tão perto de seu gabinete enquanto ele se ocupa em julgar quem é ou não trabalhador neste estado?
O Tribunal de Mauro da Oi: Quem é o Governador para ditar quem é "vagabundo"?
·
1 minuto de leitura