Na pandemia que matou mais de 700 mil brasileiros, Abílio Brunini zombava da morte — hoje posa de cristão

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Na pandemia que matou mais de 700 mil brasileiros, Abílio Brunini zombava da morte — hoje posa de cristão

Durante a maior tragédia sanitária da história recente do Brasil — a pandemia de Covid-19, que deixou oficialmente mais de 700 mil mortos no país — o então ativista digital Abílio Brunini escolheu o deboche como linguagem pública. Em vídeos publicados nas redes sociais à época, Brunini apareceu usando um saco plástico na cabeça, ironizando o uso de máscaras e ridicularizando medidas de proteção enquanto hospitais lotavam e famílias enterravam seus mortos. Não foi apenas irresponsabilidade política: foi desprezo humano em tempo real.

Agora, já prefeito de Cuiabá, Abílio tenta reconstruir sua imagem. Diz que ora por Emanuel Pinheiro e pelo presidente Lula. Fala em maturidade, em fé, em pacificação. Mas caráter não se reinventa por decreto nem por postagem devocional. O mesmo “homem” que zombou da morte coletiva agora busca vestir a túnica do cristão conciliador. Só que cristianismo sem compaixão não é fé — é marketing religioso.

A cidade que hoje ele governa sabe: o roteiro mudou, mas o personagem continua o mesmo. Quem não respeitou a dor de um país em luto dificilmente aprenderá a respeitar a dor cotidiana de uma capital abandonada.