Max Russi critica Abilio e diz que lote menor ajuda quem quer sair do aluguel

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Max Russi critica Abilio e diz que lote menor ajuda quem quer sair do aluguel

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), criticou a proposta do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de não aceitar terrenos abaixo de 200 metros quadrados na Capital. Para o parlamentar, a medida pode atrapalhar o avanço de programas habitacionais e dificultar o acesso de famílias de baixa renda à casa própria.

Max afirmou ser contrário à limitação e disse que, em Jaciara, uma medida semelhante não seria adotada. O deputado, que já foi prefeito do município, defendeu que a política habitacional precisa levar em conta a realidade de quem não consegue comprar uma casa maior ou continuar pagando aluguel.

“Lá, o meu prefeito, com certeza, não vai implantar isso. Eu, particularmente, sou o contrário. Eu fui prefeito, vou falar como prefeito”, afirmou.

Segundo Max, terrenos maiores nem sempre representam mais qualidade de vida. Ele citou a experiência em Jaciara, onde há lotes de 400, 500 e 200 metros quadrados, e disse que os terrenos grandes também geravam problemas no período de chuva, principalmente pela falta de limpeza e pelo acúmulo de água, o que favorecia focos de dengue.

“Uma das dificuldades dos terrenos grandes é no período da chuva, a questão da dengue. A população, muitas vezes, não limpava o terreno maior. Ficava uma água empoçada, uma latinha, um negócio. Isso ajudava muito na época”, disse.

O deputado defendeu que o poder público estabeleça regras mínimas, mas sem impedir que programas de habitação popular avancem. Para ele, diante do déficit habitacional, a prioridade deve ser garantir moradia para quem precisa sair do aluguel.

“Eu acho que tem que ter o mínimo ali. Mas se limitar e não dar condição dos programas habitacionais avançarem, tendo em vista o grande déficit de habitação popular, é complicado”, afirmou.

Max também destacou que muitas famílias querem apenas uma casa simples para ter segurança e deixar de pagar aluguel. Ele afirmou que um imóvel pequeno pode ser o primeiro passo para que a família, com o tempo, consiga ampliar a residência.

“Quem não tem casa quer uma casa. A mãe de família quer ter um lar, quer ter uma segurança, não quer pagar aluguel. Muitas vezes, você paga R$ 600, R$ 800 ou R$ 1 mil de aluguel, é um dinheiro que vai embora”, disse.

O parlamentar ainda rebateu a ideia de que lotes menores seriam insuficientes para garantir uma moradia digna. Segundo ele, um terreno de 180 metros quadrados permite construir uma casa de 40 a 50 metros quadrados e ainda manter espaço livre no quintal.

“Se ela tiver uma casinha pequena para ter tranquilidade, para ela é muito bom. Depois vai ampliando, faz um cômodo a mais, melhora. Um terreno de 180 metros dá para fazer uma casa tranquilamente de 40 ou 50 metros e ainda sobra uma área grande, até para ter uma horta no fundo”, completou.

Como exemplo, Max citou um condomínio para idosos entregue em Jaciara. Segundo ele, o projeto conta com casas pequenas, adaptadas às necessidades dos moradores, com banheiro, sala, cozinha, área de serviço e quarto. O espaço também possui academia, piscina aquecida, ambulatório e salão de convivência.

“É um projeto que enche o coração nosso. E é algo que nós temos que avançar na questão da política para o idoso. A habitação tem sido um problema”, afirmou.

A proposta de Abilio tem gerado críticas por poder impactar diretamente projetos de moradia popular em Cuiabá. Para Max, impedir lotes menores pode encarecer os empreendimentos e reduzir as alternativas para famílias de baixa renda que sonham com a casa própria.