Mauro Master não quer ser chamado de Mauro Mendes ou Mauro Mendes não quer ser chamado de Mauro Master

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Mauro Master não quer ser chamado de Mauro Mendes ou Mauro Mendes não quer ser chamado de Mauro Master

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Mauro Master não quer ser chamado de Mauro Mendes ou Mauro Mendes não quer ser chamado de Mauro Master

Mauro Mendes recorreu a justiça para proibir Emanuel Pinheiro e Taques de chamá-lo de “MAURO MASTER”

Em um cenário político onde as grandes discussões nacionais costumam orbitar em torno da economia, da saúde ou da educação, o estado de Mato Grosso eleva o debate público a um patamar de refinamento quase kafkiano. O ex-governador Mauro Mendes, imbuído de um zelo quase nobiliárquico com sua própria alcunha, decidiu acionar os mecanismos formais para tentar impor uma mordaça linguística a seus eternos desafetos, o ex-prefeito Emanuel Pinheiro e o ex-governador Pedro Taques. A grave ofensa que perturba o sono do dignatário? O apelido "Mauro Master". O incômodo com a alcunha bancária é tamanho que o próprio título desta crônica se perde num labirinto de vaidades: afinal, é o homem público que rejeita a instituição financeira, ou é o peso das transações publicizadas que faz o sobrenome de batismo parecer mero detalhe contratual?
A tentativa de judicializar o vocabulário alheio evoca o que há de mais caricato no autoritarismo de gabinete. Proibir adversários políticos de utilizarem um codinome satírico — amplamente respaldado pela livre manifestação do pensamento — desenha o retrato de uma liderança que confunde a imposição do silêncio com o exercício da autoridade. Em vez de rebater as críticas com a altivez que se espera de um estadista, Mendes opta pela via do melindre jurídico, uma manobra que soa tanto ridícula quanto flagrantemente antidemocrática. Trata-se do clássico complexo de censura, onde o governante, habituado a mandar e desandar, assume a postura de um monarca absolutista que enxerga qualquer ironia ou associação incômoda como um crime de lesa-majestade.
O pano de fundo dessa celeuma, contudo, é de um pragmatismo financeiro que nenhuma liminar consegue apagar das manchetes. As relações do ex-governador com o Banco Master, capitaneado por Daniel Vorcaro, não são fruto da imaginação fértil de seus detratores, mas sim fatos notórios, amplamente documentados e publicizados pela imprensa local e nacional. Ao tentar apagar o epíteto "Master" de sua biografia falada, Mendes tenta, por vias transversas, passar uma borracha jurídica nas conexões e interesses que ligam sua órbita política ao universo da alta finança. O tiro, contudo, sai pela culatra da publicidade reversa: quanto mais se tenta proibir o uso do termo, mais o cidadão comum se pergunta o que haveria de tão sensível em um simples patrocínio nominal.
No teatro do absurdo da política mato-grossense, essa cruzada contra as palavras apenas apequena quem a promove. Ao gastar capital político e tempo institucional para policiar a ironia de Emanuel Pinheiro e Pedro Taques, o ex-governador demonstra uma fragilidade institucional incompatível com seu histórico. A liberdade de expressão, pilar inegociável de qualquer regime democrático, não pode ser relativizada para blindar o ego ou os negócios de quem quer que seja. Resta saber se o Judiciário se prestará ao papel de revisor gramatical de picuinhas políticas, ou se o mercado das alcunhas continuará operando em alta, deixando claro que, no fim do dia, a tentativa de proibir o nome "Mauro Master" apenas carimba e homologa a eficiência do apelido.

Popó Pinheiro
Jornalista e Gestor Publico