Pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes voltou a reagir com irritação às suspeitas envolvendo o Governo de Mato Grosso e o Banco Master, instituição que se tornou símbolo de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Questionado sobre o assunto, ele negou qualquer relação pessoal com o banco, acusou adversários de espalharem fake news e afirmou que seus advogados já estão processando quem associou seu nome ao caso.
“Se você mente tentando associar o nosso nome a um banco que hoje é símbolo de algo ruim no país, isso chama-se calúnia e difamação. É um tipo de crime previsto na legislação brasileira e os nossos advogados já estão processando todos aqueles que mentiram e fizeram fake news”, declarou.
Apesar do tom duro, Mauro não esclareceu o principal ponto da polêmica: se o Governo de Mato Grosso, durante sua gestão, firmou ou não convênios credenciando o Banco Master para atuar com consignados junto a servidores estaduais. Ao ser questionado diretamente, o ex-governador disse não conhecer o assunto.
“Eu não conheço isso, tá? O Governo do Estado de Mato Grosso tem lá dezenas de instituições, bancos que fazem operações de consignado dessa natureza. Eu, Mauro, nunca tratei com nenhum deles, nunca conversei sobre isso dentro do governo, então tenho muita tranquilidade para falar sobre esse assunto”, afirmou.
A resposta chama atenção porque a discussão não se limita a uma relação pessoal entre Mauro e o banco. O ponto central é saber como uma instituição envolvida em escândalos nacionais conseguiu espaço dentro da estrutura administrativa do Estado, especialmente em uma área sensível como o crédito consignado, que atinge diretamente servidores, aposentados e pensionistas.
Quando questionado se o então secretário Basílio Bezerra poderia ter firmado contrato com o Banco Master sem seu conhecimento, Mauro evitou cravar a inexistência do vínculo. Em vez disso, defendeu o auxiliar e afirmou que, até onde sabe, Basílio sempre foi um secretário sério e correto.
“Eu tenho a convicção que o Basílio sempre foi, até onde eu conheço, um secretário sério e correto em toda a equipe dele”, disse.
A declaração, no entanto, abre uma brecha delicada. Se o contrato existiu, como apontam reportagens nacionais, Mauro tenta se blindar dizendo que nunca tratou do tema. Mas, como chefe do Executivo à época, a responsabilidade política pela condução da máquina pública recai sobre sua gestão.
Mauro também tentou desqualificar os questionamentos, comparando perguntas sobre o caso a suposições sem base. “Agora ficar fazendo suposição seria uma coisa eu chegar nessa roda aqui e falar: você está perguntando isso porque está a mando de alguém?”, afirmou.
O problema é que questionar convênios públicos não é suposição. É fiscalização. Quando um banco investigado nacionalmente aparece ligado a operações de consignado em Mato Grosso, a pergunta não é apenas legítima, mas necessária. Especialmente porque servidores públicos podem ter sido diretamente impactados por contratos, descontos e operações financeiras autorizadas dentro do próprio Estado.
Ao ameaçar processar críticos e jornalistas, Mauro tenta deslocar o foco do debate. Em vez de explicar com documentos se houve ou não convênio, quem autorizou, quais empresas foram credenciadas e quais valores circularam, o pré-candidato prefere transformar o caso em uma disputa contra “fake news”.
A estratégia pode funcionar politicamente entre aliados, mas não responde ao essencial. Mato Grosso precisa saber se o Banco Master teve acesso à folha dos servidores, quem permitiu, em quais condições e qual foi o papel da gestão Mauro Mendes nesse processo.
No fim, a fala de Mauro deixa mais perguntas do que respostas. Ele nega ter tratado do assunto, nega conhecer detalhes e promete processar quem o acusa. Mas não apresenta, pelo menos na declaração, uma explicação objetiva sobre o credenciamento do Banco Master no Estado. Para quem pretende disputar o Senado, a defesa baseada apenas em indignação pode não ser suficiente.