Em meio a uma sequência de desgastes políticos, administrativos e judiciais, o prefeito Abilio Brunini (PL) parece ter colocado em marcha uma operação limpa-imagem. Nos últimos dias, o gestor passou a circular com frequência por sites, rádios e TVs considerados parceiros, numa tentativa evidente de controlar a narrativa e amenizar o desgaste provocado por crises que se acumulam dentro da própria gestão e criadas por ele mesmo.
A estratégia é simples: falar muito para tentar convencer a população de que está tudo sob controle. O problema é que os fatos dizem o contrário.
Abilio tenta explicar o inexplicável. Tenta justificar medidas que dificultam a construção de moradias populares em Cuiabá, em especial dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Tenta defender o corte de árvores adultas em uma cidade que já sofre com calor extremo. Tenta normalizar a interferência do Executivo na Câmara Municipal para favorecer interesses políticos internos. Tenta minimizar denúncias graves envolvendo a Educação. E ainda tenta empurrar para baixo do tapete a crise do assédio sexual dentro da própria gestão, envolvendo seu ex-chefe de gabinete Willian Campos.
O prefeito, que se vendeu como símbolo de mudança, agora recorre ao velho manual da política tradicional: escolher ambientes confortáveis, dar entrevistas controladas, atacar críticos e tentar transformar problemas reais em narrativa de oposição.
Mas entrevista não apaga árvore derrubada. Microfone amigo não explica suspeita na Educação. Discurso ensaiado não justifica interferência na Câmara. E nenhuma operação midiática consegue apagar a denúncia de uma servidora que relatou ter sido assediada dentro da estrutura do poder municipal.
A pressa de Abilio em ocupar espaços na imprensa mostra que a gestão sentiu o golpe. A tentativa de “limpar a imagem” revela que o desgaste passou do limite do aceitável e começou a atingir diretamente a credibilidade do prefeito.
No fim, a pergunta que fica é simples: se está tudo tão certo como Abilio tenta dizer, por que tanta entrevista para explicar o que a própria gestão não consegue sustentar nos fatos?