Katiuscia diz que Samantha “não tem dó” de ex-servidora assediada e chama Abilio de "criança mimada"

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Katiuscia diz que Samantha “não tem dó” de ex-servidora assediada e chama Abilio de "criança mimada"
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Em tom crítico, a parlamentar também atingiu Samantha, ligada ao grupo político de Abilio, ao afirmar que ela não teria demonstrado a mesma solidariedade a uma servidora que denunciou ter sido assediada pelo ex-chefe de gabinete do prefeito Willian Leite. A fala foi uma resposta ao discurso de que vereadores contrários à mudança do Regimento estariam agindo contra o protagonismo feminino.

Para Katiuscia, o argumento de defesa das mulheres estaria sendo usado de forma conveniente no debate político.

A vereadora sustentou que a discussão sobre a Mesa Diretora não tem relação com gênero, mas com cumprimento de regras, compromisso político e respeito à autonomia do Legislativo. Segundo ela, a tentativa de transformar o embate em uma pauta feminina serviria para esconder o real objetivo da articulação: destravar a candidatura de Paula Calil à reeleição na presidência da Câmara.

Atualmente, o Regimento Interno exige o voto favorável de dois terços dos vereadores, ou seja, 18 dos 27 parlamentares, para mudanças nas regras da Casa. Como o grupo de Paula não conseguiu alcançar esse número, a saída foi recorrer ao Judiciário.

A própria presidente da Câmara confirmou que pediu ao prefeito Abilio Brunini para ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A ação questiona os dispositivos do Regimento que exigem quórum qualificado e defende que alterações possam ser aprovadas por maioria simples.

A manobra foi recebida como uma tentativa de intervenção do Executivo no Legislativo. Katiuscia classificou a iniciativa como “desesperada” e afirmou que os vereadores não aceitarão subordinação ao prefeito.

“Nós não vamos aceitar subordinação. Nós não vamos aceitar intromissão. Cada um no seu quadrado. Enquanto nós formos vereadores, nós vamos agir como vereadores. Enquanto o senhor for prefeito, aja como prefeito”, declarou.

Durante o discurso, a vereadora lembrou que Abilio teve comportamento oposto quando era vereador. Ela exibiu um mandado de segurança impetrado por ele em 2018, quando questionou mudanças no Regimento Interno às vésperas da eleição da Mesa Diretora.

Segundo Katiuscia, o prefeito defendia naquela época que alterações de regras perto da eleição comprometiam a segurança jurídica do processo. Agora, conforme a parlamentar, Abilio age de forma contrária ao próprio discurso.

“O que mudou de lá para cá? Qual o seu interesse de interferir na Justiça agora para mudar o Regimento? Essa é uma ação desesperada”, afirmou.

A vereadora também comparou a postura do prefeito à de uma criança que não aceita ser contrariada.

“Não conseguiu mudar o Regimento, vai à Justiça. Não conseguiu mudar no voto, procura outro caminho. Eu sou mãe há 12 anos e sei lidar com criança que não aceita um não. O não para o senhor vai continuar”, disparou.

Katiuscia ainda reforçou que sua crítica não é pessoal contra Paula Calil. Ela disse respeitar a presidente da Câmara e reconhecer sua condução à frente do Legislativo, mas afirmou que não aceitará mudança de regra feita sob medida para atender a uma disputa interna.

A parlamentar também disse que a insatisfação não está restrita à oposição. Segundo ela, vereadores da própria base do prefeito estariam incomodados com a judicialização do tema e com a tentativa de reduzir o quórum necessário para decisões estruturantes da Câmara.

A ADI apresentada pela Prefeitura, se acolhida pelo Tribunal de Justiça, pode permitir que mudanças regimentais passem a ser aprovadas por maioria simples. Na prática, isso reduziria o poder de bloqueio da minoria e poderia facilitar a votação da proposta que autoriza a recondução de Paula Calil.

O caso transformou a disputa pela Mesa Diretora em uma crise institucional entre Prefeitura e Câmara. Para opositores, Abilio tenta usar o peso do Executivo para interferir nas regras internas do Legislativo. Para aliados de Paula, a mudança seria apenas uma adequação ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre recondução de mesas diretoras.

Nos bastidores, porém, o clima é de tensão. A fala de Katiuscia escancarou o racha dentro da Câmara e ampliou o desgaste político do prefeito, que agora é acusado de agir na Justiça para conseguir o que não conseguiu no voto.