BLINDAR ABILIO Base de Abilio faz manobra para barrar CPI do Assédio e empurrar investigação contra ex-chefe de gabinete para o arquivo

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BLINDAR ABILIO Base de Abilio faz manobra para barrar CPI do Assédio e empurrar investigação contra ex-chefe de gabinete para o arquivo

A base do prefeito Abilio Brunini (PL) se movimentou nos bastidores da Câmara de Cuiabá para tentar impedir a instalação da CPI do Assédio Sexual, proposta para investigar denúncias envolvendo o ex-chefe de gabinete do chefe do Executivo, William Leite de Campos.

A CPI proposta pela vereadora Maria Avallone (PSDB) acabou ficando travada porque todas as vagas disponíveis para comissões parlamentares de inquérito já estavam ocupadas. Com o encerramento de uma das CPIs em andamento, surgiu a possibilidade de retomada da investigação sobre as denúncias de assédio sexual.

Maria Avallone protocolou o pedido de desarquivamento às 16h58 de quarta-feira (8). Horas depois, o vice-líder do prefeito na Câmara, vereador Demilson Nogueira (PP), correu para apresentar um novo pedido de CPI, desta vez voltado a apurar a compra de materiais didáticos, livros e insumos pedagógicos pela Secretaria Municipal de Educação na atual gestão.

Na prática, a movimentação foi vista por parlamentares como uma tentativa de atropelar a CPI do Assédio Sexual e ocupar a vaga aberta com outra investigação, tirando do centro do debate o caso que atinge diretamente um ex-integrante do primeiro escalão de Abilio.

A manobra ganhou ainda mais força depois que o procurador-geral da Câmara, Eustáquio Inácio de Noronha Neto, sinalizou entendimento jurídico que pode barrar a retomada da CPI do Assédio. Segundo ele, o simples pedido de desarquivamento não geraria automaticamente um novo protocolo, tese que pode favorecer a CPI apresentada posteriormente por Demilson.

A interpretação provocou reação imediata na oposição. Para vereadores contrários à base governista, o movimento tem objetivo claro: criar um caminho jurídico e político para sepultar a investigação sobre o ex-chefe de gabinete do prefeito e substituir a CPI por outra comissão mais conveniente ao Palácio Alencastro.
O clima esquentou quando Demilson reagiu às críticas e expôs conversas de bastidores envolvendo Maysa. A vereadora cobrou direito de resposta, alegando ter sido atingida em sua honra, mas a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), negou a palavra. A negativa agravou o tumulto no plenário e escancarou o clima de guerra política dentro da Casa.

O caso investigado pela CPI do Assédio Sexual envolve uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Trabalho, que registrou boletim de ocorrência contra William Leite de Campos. No documento, ela relatou situações de constrangimento, isolamento, convites para ficar a sós e uma tentativa de beijo forçado. Após a repercussão do caso e do pedido de CPI, William deixou o cargo.

Mesmo diante da gravidade da denúncia, a movimentação da base de Abilio indica que o grupo político do prefeito prefere empurrar a investigação para uma disputa regimental, em vez de permitir que os fatos sejam apurados por uma comissão parlamentar.

A crise expõe o desconforto do grupo governista com uma CPI que poderia atingir diretamente o núcleo político do prefeito. Em vez de enfrentar a investigação, a base trabalha para substituí-la por outra comissão e transformar uma denúncia de assédio sexual em mais uma queda de braço burocrática dentro da Câmara.

Nos bastidores, a avaliação é que o episódio aprofunda o desgaste do Legislativo e reforça a imagem de uma base disposta a usar manobras regimentais para proteger o Executivo. A CPI do Assédio, que deveria servir para apurar uma denúncia grave contra uma servidora, virou alvo de uma operação política para impedir que a Câmara cumpra seu papel fiscalizador.