ARROGÂNCIA Justiça freia Abilio após prefeito desafiar MP e dizer que obra não pararia “por causa de uma árvore”

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ARROGÂNCIA Justiça freia Abilio após prefeito desafiar MP e dizer que obra não pararia “por causa de uma árvore”

Poucos dias depois de desafiar o Ministério Público e afirmar que “a obra não vai ser paralisada por causa de uma árvore”, o prefeito Abilio Brunini (PL) foi obrigado a assistir a Justiça fazer exatamente o que ele dizia que não aconteceria: mandar parar a supressão de árvores na avenida Fernando Corrêa da Costa.

A decisão do juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada do Meio Ambiente, escancarou que o problema era bem maior do que o discurso debochado do prefeito tentou fazer parecer. Não se tratava de “uma árvore”. Segundo relatório do Juizado Volante Ambiental, 24 árvores adultas já haviam sido arrancadas e outras 82 ainda poderiam ser cortadas.

Ou seja, enquanto Abilio tentava transformar a preocupação ambiental em “hipocrisia” da oposição, a própria Justiça enxergou risco concreto à qualidade de vida da população. Em uma cidade que enfrenta calor extremo e temperaturas próximas dos 40°C, retirar arborização adulta não é detalhe de obra. É agravar ainda mais o sofrimento de quem vive em Cuiabá.

O prefeito tentou vender a derrubada como medida para “salvar vidas” no trânsito, mas a decisão judicial mostrou que gestão pública não se faz na base da provocação, da motosserra e do enfrentamento institucional. Obra nenhuma autoriza a Prefeitura a agir de forma desorganizada, atropelando critérios ambientais e tratando árvore adulta como obstáculo descartável.

Para evitar novo descumprimento, a Justiça ainda impôs multa pessoal de R$ 50 mil ao secretário municipal de Obras, Reginaldo Teixeira, caso a supressão continue. O recado foi direto: a Prefeitura pode até ignorar críticas políticas, mas não pode passar por cima da lei ambiental.

O episódio é mais um desgaste para uma gestão que parece confundir autoridade com bravata. Abilio disse que não pararia. A Justiça mandou parar. E, no fim, quem ficou exposta foi a postura de um prefeito que preferiu desafiar o Ministério Público a explicar com seriedade por que Cuiabá deveria perder dezenas de árvores adultas em plena crise de calor urbano.