O prefeito Abilio Brunini (PL) voltou a mirar a CS Mobi e afirmou que pretende acionar a Justiça para tentar retirar da concessionária a administração do novo Mercado Municipal Miguel Sutil, após a conclusão da obra. A declaração ocorre em meio ao avanço dos trabalhos no Centro Histórico de Cuiabá, que já passam de 80% de execução.
“Que terminem a obra, mas depois a gente vai entrar na Justiça para tomar essa obra. Porque o pai dela não se comportou muito bem durante a sua gestão para tomar a decisão dessa obra”, afirmou Abilio, em referência ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), gestor que deu início ao projeto.
A fala reforça o embate político e administrativo entre a atual gestão e a concessionária, responsável também pelo estacionamento rotativo na região central da Capital. Desde que assumiu a Prefeitura, Abilio mantém uma relação de confronto com a CS Mobi, alvo de CPIs na Câmara Municipal articuladas por sua base de apoio.
A postura, no entanto, expõe mais uma tentativa da gestão Abilio de politizar uma obra que já está em fase avançada e que pode representar um novo impulso para o Centro Histórico. Sem conseguir apresentar entregas próprias de grande impacto até o momento, o prefeito volta a direcionar o debate para a disputa com Emanuel e com a CS Mobi.
Abilio também afirmou que não tem interesse em participar da inauguração caso Emanuel esteja presente no evento. Antes disso, destacou que a obra ainda depende da emissão do Habite-se, documento concedido pela Prefeitura para atestar que a construção foi concluída conforme as exigências legais. Ele chega a ameaçar de que pode atrapalhar a liberação da obra.
“A obra não está conclusa, não tem Habite-se, e o pai dessa obra é muito feio. Então, a gente tem que aguardar toda a comprovação documental para poder emitir o Habite-se. Se o pai da obra vai estar lá, eu não tenho interesse de ir”, declarou.
A nova ameaça de judicialização ocorre justamente quando o Mercado Municipal entra na reta final. Na prática, a discussão pode abrir mais um capítulo de disputa política em torno de uma obra esperada para revitalizar uma das regiões mais tradicionais de Cuiabá.