“Hipocrisia sem freio: Fabinho Garcia finge indignação seletiva, protege racismo contra indígenas , negros e gesto nazista do chefe Mauro Mendes, mas ataca só Janaína Riva”

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“Hipocrisia sem freio: Fabinho Garcia finge indignação seletiva, protege racismo contra indígenas , negros e gesto nazista do chefe Mauro Mendes, mas ataca só Janaína Riva”

O Secretário da Casa Civil, deputado licenciado Fabinho Garcia, protagonizou uma cena de hipocrisia política explícita ao reagir com indignação à deputada Janaína Riva por uma fala infeliz — pela qual ela prontamente pediu desculpas públicas —, mas silenciar diante das reiteradas declarações discriminatórias e simbologias extremistas de seu superior hierárquico, o governador Mauro Mendes. Fabinho, que cobrou respeito após se sentir pessoalmente atingido pela palavra “negas”, permaneceu mudo quando Mendes, em plena cerimônia oficial da Semana da Páscoa, referiu-se a “um passado negro, obscuro e cheio de escândalos de corrupção” — uma expressão que resvala no racismo estrutural ao associar a palavra “negro” à degradação, à sujeira moral e ao fracasso institucional.

Não se trata apenas de uma infelicidade retórica: o uso desse termo nesse contexto ofende a memória e a dignidade do povo preto brasileiro e mato-grossense. A Constituição da República, em seu artigo 5º, inciso XLII, estabelece que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível”. Além disso, a Lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, veda manifestações que associem negativamente termos de identidade racial a atos criminosos ou moralmente degradantes. O governador, ao empregar essa linguagem, ultrapassou o limite do aceitável — e o silêncio de Fabinho Garcia diante disso é conivente, cúmplice e moralmente indefensável.

A omissão se torna ainda mais escandalosa ao se observar que o próprio Ministério Público Federal notificou Mauro Mendes por declarações de cunho preconceituoso contra indígenas Bóe Boróro, além de mover uma ação civil pública pedindo R$ 2,5 milhões de indenização por fala em que o governador teria sustentado um discurso de “superioridade racial do colonizador”. Mais recentemente, durante evento oficial, Mauro sugeriu que a atriz Angelina Jolie visitasse “índios que trabalham” — como se houvesse indígenas que não o fazem — numa fala impregnada de preconceito, ignorância e apagamento cultural. A frase reforça a velha lógica colonial de que o indígena só é digno se assimilado ao modelo produtivista do colonizador.

Como se não bastasse, Mauro Mendes também foi filmado em São Paulo, durante manifestação bolsonarista pedindo anistia aos golpistas do 8 de janeiro, fazendo o gesto associado à saudação nazista, numa clara afronta à memória das vítimas do Holocausto e à democracia brasileira. O gesto foi amplamente divulgado e repudiado por entidades judaicas, democráticas e de direitos humanos. Ainda assim, Fabinho Garcia manteve-se calado, cúmplice e submisso. Sua postura seletiva revela não apenas parcialidade, mas também uma desonestidade política flagrante: indignar-se apenas quando o alvo é uma adversária, mas engolir calado o preconceito e o extremismo simbólico vindos de dentro do próprio Palácio Paiaguás.