De mulher fantasma na Assembleia à propina de R$ 2,7 milhões no diesel: Fabinho Garcia tem um prontuário que tira o sono até de delator antigo

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De mulher fantasma na Assembleia à propina de R$ 2,7 milhões no diesel: Fabinho Garcia tem um prontuário que tira o sono até de delator antigo

O atual secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Fabinho Garcia, parece ter perdido a mão ao tentar posar de paladino da moralidade ao atacar a deputada Janaina Riva, insinuando práticas corruptas. A tentativa de inverter os papéis, colocando-se como símbolo de honestidade, desmorona com o próprio histórico familiar e político, marcado por denúncias cabeludas, delações premiadas e processos que já duram anos – muitos anos. Fabinho, que agora integra o núcleo duro do governo Mauro Mendes, está longe de ser um estranho nesse ninho de contradições éticas.

Delatado pelo ex-governador Silval Barbosa, o então deputado federal Fábio Garcia foi acusado de chefiar um esquema de venda fraudulenta de óleo diesel que desviou R$ 2,7 milhões dos cofres públicos. O caso, que veio à tona após o fim do sigilo das delações, é apenas um dos muitos episódios que colocam o nome de Fabinho sob suspeita. E como se não bastasse, o Ministério Público Eleitoral também pediu a cassação de seu mandato, apontando compra de votos em aldeias indígenas — prática abominável e antidemocrática, especialmente grave por atingir populações vulneráveis.

Mas o emaranhado de suspeitas não para por aí. Sua esposa, Marcella Deveza Marchett, foi investigada por supostamente ocupar cargo de “funcionária fantasma” na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com salário superior a R$ 11 mil. Segundo documentos analisados pela Promotoria, ela teria recebido valores generosos sem sequer comparecer ao trabalho. O inquérito busca confirmar se Marcella de fato prestava serviço público, ou apenas figurava como mais um nome na folha de pagamento do poder legislativo estadual. Um fantasma, pago com dinheiro público.

O pai de Fabinho, o empreiteiro Robério Garcia, e sua irmã, Fabíola Garcia Cardoso, também estão no centro de um processo por grilagem de terras públicas, com acusações de esbulho possessório, ameaças e uso da influência política para invadir áreas da agricultura familiar. O processo tramita com base em denúncias de camponeses e entidades como a União Camponesa Nacional. E não é de hoje que o nome de Robério aparece em escândalos: quando foi diretor da Eletronorte, ele apareceu citado em um suposto esquema de desvio envolvendo ninguém menos que o operador do mensalão, o mineiro Marcos Valério, personagem central de um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país. Com esse prontuário, soa quase farsesco que alguém como Fabinho tente acusar outrem de corrupção — honestidade, como se vê, é um terreno no qual ele pisa com dificuldade e pouca firmeza.