Na coletiva convocada para reagir à denúncia publicada pelo UOL e repercutida pelo Metrópoles, o governador Mauro Mendes concentrou sua fala em atacar o ex-governador Pedro Taques, mas deixou sem resposta o ponto central do escândalo: o destino dos cerca de R$ 308 milhões envolvidos no acordo entre o Estado e a operadora Oi.
Em nenhum momento da coletiva, Mauro explicou por que parte expressiva desses recursos teria sido direcionada a fundos e estruturas ligadas ao seu filho Luís Antônio Taveira Mendes (Luisinho), ao secretário Fabinho Garcia (Fabinho), ao aliado Cidinho Santos e ao empresário Hélio Palma de Arruda (Helinho), genro de Maurinho de Carvalho. O grupo, citado nas reportagens, ficou conhecido nos bastidores políticos como o grupo dos “inhos”.
Ao optar por personalizar o embate e transformar a coletiva em um ataque político ao ex-governador, Mauro Mendes evitou enfrentar as informações divulgadas por veículos nacionais, que apontam possível conflito de interesses e circulação de recursos públicos em estruturas privadas ligadas ao seu entorno familiar e político. A ausência de esclarecimentos objetivos reforça a percepção de que o governo fugiu do tema principal: quem se beneficiou, como se beneficiou e por que se beneficiou do acordo bilionário com a Oi.
Para um governo que afirma prezar pela transparência, o silêncio sobre o destino de R$ 308 milhões é mais eloquente do que qualquer ataque retórico. Sem documentos, números detalhados ou explicações técnicas, a coletiva deixou em aberto as principais suspeitas levantadas pelas reportagens e ampliou a pressão por investigações independentes.