A Prefeitura de Cuiabá acendeu mais um sinal vermelho nas contas públicas. A Despesa Total com Pessoal (DTP) chegou a R$ 2,141 bilhões nos últimos 12 meses, o equivalente a 51,03% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada, e deixou o município a apenas 0,27 ponto percentual do limite prudencial previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Os números estão no Relatório de Gestão Fiscal referente ao segundo quadrimestre de 2026, publicado pela própria Prefeitura na Gazeta Municipal.
O dado é particularmente preocupante porque Cuiabá já ultrapassou o chamado limite de alerta, fixado em 48,60% da RCL ajustada. O limite prudencial é de 51,30%, enquanto o teto máximo permitido para despesa com pessoal do Executivo é de 54%.
Na prática, a administração municipal tem uma margem de apenas cerca de R$ 11,5 milhões até atingir o limite prudencial. Em uma folha que já supera R$ 2,1 bilhões, o espaço é estreito e aumenta a pressão sobre a gestão do prefeito Abilio Brunini.
A Receita Corrente Líquida ajustada usada no cálculo é de R$ 4,196 bilhões. Sobre esse montante, a despesa de pessoal alcançou os 51,03%, ficando acima inclusive do patamar de alerta previsto pela legislação fiscal.
O cenário coloca a gestão municipal sob pressão para controlar despesas justamente em um período em que a Prefeitura ainda enfrenta demandas crescentes em áreas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
O avanço da folha chama atenção também porque o limite prudencial não funciona apenas como uma referência contábil. Ao se aproximar desse patamar, a administração perde margem para ampliar despesas permanentes com servidores e passa a operar em uma zona fiscal mais sensível.
Os próprios demonstrativos mostram o tamanho da máquina. A despesa bruta com pessoal nos últimos 12 meses alcançou R$ 2,542 bilhões, antes das deduções permitidas pela legislação. Desse total, cerca de R$ 1,936 bilhão corresponde a pessoal ativo.
Embora Cuiabá ainda não tenha atingido o teto máximo de 54%, o relatório oficial mostra que a Prefeitura já deixou para trás o limite de alerta e está praticamente encostada no prudencial.
Com apenas 0,27 ponto percentual de folga, qualquer crescimento relevante da folha ou redução da receita pode empurrar o município para uma faixa ainda mais restritiva da LRF.
A situação lança pressão sobre o Palácio Alencastro para explicar quais medidas pretende adotar para impedir que as despesas com pessoal continuem avançando e comprometam ainda mais a capacidade financeira do município.