A 1ª Vara Cível de Campo Verde converteu em falência a recuperação judicial do grupo José Pupin Agropecuária e de Vera Lúcia Camargo Pupin, após quase nove anos de tramitação do processo. A decisão do juiz André Barbosa Guanaes Simões foi fundamentada no descumprimento generalizado do plano original e na inadimplência de obrigações com os credores. O magistrado destacou que a tentativa dos devedores de selecionar quais créditos pagariam apenas confirmou o calote substancial, invalidando a continuidade do regime de reestruturação.
A medida drástica foi respaldada pela própria administradora judicial, Glaucia Albuquerque, que reiterou ao juiz a total falta de condições financeiras do grupo para arcar até mesmo com os custos essenciais do processo. De acordo com os relatórios, a situação superava um mero atraso e revelava a inviabilidade do soerguimento da empresa. Diante disso, a Justiça determinou a suspensão de ações contra os falidos, proibiu a venda de bens sem autorização e manteve a administração atual na condução da massa falida.
Iniciada em 2017, a recuperação judicial era considerada uma das maiores e mais antigas do agronegócio em Mato Grosso, acumulando um passivo superior a R$ 3,5 bilhões. Ao longo dos anos, além da pressão de credores privados por conta da falta de pagamentos e da ausência de documentos contábeis, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso também havia solicitado a falência do grupo devido ao descumprimento recorrente de obrigações fiscais.
Fim de uma era no agro: Justiça decreta falência de recuperação judicial bilionária em MT
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