Um gasto astronômico de dinheiro público acaba de receber parecer favorável da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) para a realização do projeto “Afro Fashion Day – Edição 2026”, orçado no valor de R$ 1.080.000,00. Bancado integralmente por emenda parlamentar impositiva com inexigibilidade de chamamento público, o plano prevê execução ao longo de 12 meses — de agosto de 2026 a julho de 2027 —, período em que serão realizados apenas 12 encontros formativos na Casa Cuiabana. Toda essa estrutura estendida culmina em um único desfile performático no Teatro da UFMT, cuja locação de palco prevê a permanência de apenas 1 dia de evento aberto ao público. A desproporção financeira salta aos olhos: enquanto o projeto destina míseros R$ 12.500,00 para dividir entre o cachê de cinco artistas, torra impressionantes R$ 430.000,00 em um único contrato de instalação, montagem de estruturas e cenografia.
Além da cifra inflada, a planilha orçamentária evidencia um pesado dreno do erário concentrado em serviços de terceiros (PJ), que abocanham R$ 947.100,00 do total aprovado. O montante inclui contratações de até nove meses para funções de bastidores, como R$ 72 mil para diretor técnico, R$ 64,8 mil para produção executiva, R$ 45,5 mil para direção pedagógica e R$ 55 mil apenas na locação de som. Para completar o cenário de desleixo institucional, o parecer oficial ainda traz trechos confusos que misturam projetos distintos nos autos ao citar ações de cinema itinerante, demonstrando como repasses milionários de emendas vêm avançando na máquina pública sem o devido rigor de economicidade e coerência processual.
Farra das emendas? Secel dá aval a R$ 1,08 milhão para projeto de moda afro que torra R$ 947 mil em terceirizados
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