A pré-campanha mato-grossense acaba de registrar um fenômeno que desafia a aritmética elementar: a multiplicação simultânea de uma mesma fatia de bolo eleitoral. Em levantamento recente, tanto a primeira-dama Virgínia Mendes quanto o deputado federal Fabinho Garcia surgem inflados com percentuais vistosos no mesmo cenário. O detalhe que escapa à lógica convencional é que ambos bebem na mesmíssima fonte política e disputam o mesmo eleitorado governista sob as bênçãos do Palácio Paiaguás; no entanto, segundo os números divulgados, dividir a mesma base teria o poder inédito de fortalecer os dois competidores ao mesmo tempo.
O feito estatístico leva a assinatura do Instituto Data Index de Pesquisa, empresa que esbanja um vigor quase infantil: seu registro na Receita Federal tem data de abertura carimbada em 28 de abril deste ano, ainda com o cheiro de tinta fresca no contrato social. Criada em tempo recorde para a temporada eleitoral, a jovem empresa cuiabana já estreou no mercado apresentando diagnósticos audaciosos, embora observadores mais céticos prefiram manter a cautela reservada a institutos relâmpago, cujas metodologias costumam florescer com pontualidade suíça sempre que uma disputa de poder se avizinha.
A história ensina que o calendário eleitoral costuma ser impiedoso com cenários desenhados sob medida: em breve, o folclore das planilhas inevitavelmente terá de prestar contas à frieza das urnas. Cabe ao eleitor mato-grossense o exercício preventivo de memorizar o nome dos novos atores desse mercado e guardar o levantamento de estreia em uma gaveta segura. Em outubro, nada será mais pedagógico do que confrontar a profecia dos números com a realidade dos votos apurados, lembrando que certas alquimias estatísticas encantam na largada, mas raramente sobrevivem ao julgamento do tempo.


