Enquanto Abílio polemizava com “todes”, ele e Dilemário articulavam nos bastidores a queda de Vânia na Semob, usando Paula Calil para evitar desgaste

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Enquanto Abílio polemizava com “todes”, ele e Dilemário articulavam nos bastidores a queda de Vânia na Semob, usando Paula Calil para evitar desgaste

Enquanto o prefeito Abílio Brunini gastava energia pública promovendo o debate sobre o uso de “todes”, nos bastidores ele e seu aliado, o vereador Dilemário Alencar, articulavam silenciosamente uma operação para derrubar a secretária de Mobilidade Urbana, Vânia Rosa (Novo), que também ocupa o cargo de vice-prefeita. A estratégia, segundo fontes ouvidas pelo Blog, foi engenhosa e calculada: colocar Vânia na desconfortável posição de enfrentar críticas duríssimas na tribuna da Câmara, vindas justamente da presidente do Legislativo, Paula Calil (PL) — também mulher —, afastando assim qualquer acusação de discriminação de gênero que recairia sobre o prefeito caso ele optasse por demiti-la diretamente.

O episódio na Câmara, em que Paula leu uma nota oficial contundente rebatendo supostas acusações de “assédio político” feitas por Vânia, teria sido, de acordo com interlocutores próximos, o clímax de um roteiro previamente combinado. A presença da secretária no plenário foi o cenário ideal para a execução da “arapuca”: constranger publicamente, expor fragilidades e minar o apoio político de Vânia, deixando o terreno pronto para sua exoneração sem que o ato partisse de forma ostensiva do gabinete do prefeito.

Para Abílio, afirmam as mesmas fontes, Vânia já era um problema antigo. A relação entre ambos vinha se deteriorando por divergências internas e pela resistência da vice-prefeita em obedecer certas orientações políticas e administrativas. O prefeito teria adiado sua saída por receio da influência e das ramificações que Vânia mantém dentro da Polícia Militar, onde, segundo aliados, possui respaldo sólido e conexões estratégicas. Esse temor, contudo, não foi suficiente para impedir que a operação de desgaste avançasse até o ponto de não retorno.

Ainda segundo apurações, se a exoneração for consumada, Vânia não será realocada em nenhuma outra secretaria, encerrando de vez sua participação direta no primeiro escalão da gestão. Ao mesmo tempo, a movimentação abriu espaço para uma nova disputa política: vereadores já se articulam para indicar o substituto, com Ilde Taques e o próprio Dilemário travando uma guerra silenciosa nos bastidores. O episódio revela não apenas a ruptura entre prefeito e vice-prefeita, mas também a habilidade de Abílio em montar um tabuleiro político onde adversários se tornam peças descartáveis no momento mais conveniente.