Brasnorte, no norte de Mato Grosso, virou o retrato fiel do Velho Oeste americano – só que sem xerife e sem lei. Nos últimos anos, a cidade coleciona episódios dignos de faroeste: prefeito cassado, apenas dois policiais militares no efetivo (ambos agora investigados por ligação com quadrilha de roubo a banco), escrivão que tirou a própria vida, vereadores e presidentes de partidos presos ou afastados por envolvimento com o tráfico, e presidente da Câmara fora do cargo. Entre um escândalo e outro, o crime encontra campo livre para agir enquanto a população assiste, desprotegida, à sucessão de capítulos sombrios.
O caso de Brasnorte é mais que um episódio isolado: é símbolo do abandono da segurança pública em Mato Grosso. O governo estadual mantém na gaveta a convocação de aprovados em concurso da Polícia Civil e Militar, deixando cidades inteiras à mercê da sorte. Se o “Tolerância Zero” fosse aplicado ao crime organizado, a história seria diferente. Mas, pelo visto, a tolerância é total para bandidos e mínima para o cidadão que ainda ousa acreditar na promessa de paz e bem-estar. Hoje, em muitos cantos do estado, a lei chega tarde – quando chega.