A tentativa do grupo político do ex-governador Mauro Mendes, da ex-primeira-dama Virgínia Mendes e da empresária Margareth Buzetti de rebater as críticas do senador Wellington ao Parque Novo Mato Grosso — apelidado popularmente de "Parque dos Bilionários" — usando as viagens da família do opositor à Disney é um grave atestado de ignorância histórica e falta de argumentos. Para tentar justificar um complexo que já consumiu cifras bilionárias dos cofres públicos estaduais, a narrativa governista confunde alhos com bugalhos. A comparação beira o ridículo porque ignora o fato mais elementar: a Disneylândia nasceu do suor, do risco financeiro e da genialidade da iniciativa privada de Walt Disney, sem que um único centavo de dinheiro público do estado americano fosse retirado da saúde ou da educação da população para inflar os egos de grandes corporações.
No Mato Grosso, a realidade é o avesso do modelo americano e desenha um cenário de profunda injustiça social. Enquanto faltam leitos em hospitais, investimentos em assistência social e asfalto de qualidade nas rodovias estaduais, o governo preferiu torrar o dinheiro do povo mato-grossense para erguer uma megaestrutura em uma região cercada por terras valorizadas da elite do agronegócio. Um parque de lazer seria muito bem-vindo se seguisse o exemplo da própria Disney: construído, financiado e gerido por empresários que assumem os riscos do negócio, cabendo ao Estado apenas o apoio logístico periférico, como a melhoria nos acessos rodoviários. Em vez disso, o Palácio Paiaguás usou a máquina pública para subsidiar um reduto voltado para os barões da soja.
Para piorar o que já é eticamente questionável, o escândalo ganha contornos ainda mais graves quando se observa quem realmente lucra com o empreendimento após a sua conclusão. A empresa que venceu a licitação para administrar o Parque Novo Mato Grosso pertence a Fernando Maggi, um dos grandes nomes da soja no estado, evidenciando privilégios. E o deboche com o contribuinte não para por aí: quem continua bancando os custos de manutenção e a operação diária do parque não é a bilionária concessionária privada, mas sim o próprio tesouro estadual, por meio de repasses contínuos de dinheiro público e emendas parlamentares para mascarar a falta de viabilidade própria do local e sustentar uma falsa narrativa de sucesso.
Diante do anúncio do senador Wellington de que pretende realizar auditorias rigorosas e paralisar as obras devido à enxurrada de contratações sem licitação e supostas "mal-ditorias", a reação da base governista expõe a total ausência de defesas técnicas e morais para o projeto. Atacar a vida pessoal de um adversário político citando o parque apenas reforça o vazio de propostas e a cegueira cultural de quem comanda o estado. O mato-grossense, que assiste à dilapidação dos recursos da saúde, educação e infraestrutura para financiar o lazer e o bolso de bilionários, sabe muito bem que o Novo Mato Grosso não é a Disney; é apenas o retrato de um governo que inverteu prioridades e governa de costas para o povo.
Enquanto a Disney foi erguida sem um centavo do Estado americano, Parque dos Bilionários em MT drena recursos da saúde e educação do tesouro do estado
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