A tentativa do vereador Dilemário Alencar, líder do prefeito Abílio Brunini na Câmara de Cuiabá, de suavizar o aumento do IPTU chamou atenção mais pelo malabarismo retórico do que pela capacidade de convencimento. Ao defender a atualização da base de cálculo do imposto e negar que houve aumento, Dilemário apostou na tese de “justiça tributária”, mesmo admitindo que a elevação do valor venal dos imóveis resultará, na prática, em boletos mais caros para a população. O discurso não passou despercebido por quem acompanhou a sessão, reforçando a percepção de que a gestão tenta rebatizar aumento de imposto com outro nome para reduzir desgaste político.
A defesa pública do reajuste feita pelo líder do prefeito expõe Abílio Brunini ao desgaste direto com os contribuintes, especialmente em uma cidade já pressionada pelo custo de vida. Ao endossar o projeto e negar votação “na calada da noite”, a base governista tenta controlar a narrativa, mas não consegue esconder o efeito concreto: o cidadão pagará mais. A estratégia de comunicação pode até tentar redefinir o conceito, mas não altera o peso real que chegará ao bolso dos cuiabanos.