O ex-deputado estadual Ulysses Moraes, atualmente ocupante de cargo comissionado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), aparece engajado na caminhada política do deputado federal Nikolas Ferreira, que percorre a pé o trajeto entre Minas Gerais e Brasília.
O fato chama atenção porque a Assembleia Legislativa retomou o expediente normal desde o dia 12 de janeiro, período em que o servidor, oficialmente classificado como ativo, deveria estar à disposição da Casa.
Segundo dados do Portal da Transparência, Ulysses Moraes ocupa o cargo de Superintendente de Controle Interno, Fiscalização Financeira e Contábil, função estratégica vinculada à Secretaria de Controle Interno, responsável justamente por zelar pela legalidade, regularidade e fiscalização dos atos administrativos da ALMT. Trata-se de um cargo comissionado, de confiança, remunerado com recursos públicos.
Na folha referente a dezembro de 2025, o ex-parlamentar recebeu R$ 16.389,65 de salário bruto.
Ulysses Moraes perdeu a última eleição quando tentou uma vaga na Câmara Federal. Após a derrota nas urnas, passou a integrar a estrutura administrativa da Assembleia Legislativa, sem mandato eletivo, mas com remuneração garantida por meio de cargo de livre nomeação.
Agora, sua presença em um ato político de forte viés ideológico e eleitoral, fora do estado e durante período de expediente do Legislativo, levanta questionamentos inevitáveis: o servidor está trabalhando? Está em férias, licença ou afastamento formalmente autorizado? Há ato administrativo, despacho ou registro funcional que justifique sua ausência da ALMT?
O episódio expõe uma contradição difícil de ignorar: um ocupante de cargo responsável pelo controle interno da Casa participando de mobilização política externa enquanto o Parlamento está em pleno funcionamento. A situação reforça o debate recorrente sobre o uso de cargos comissionados como abrigo político para ex-parlamentares derrotados nas urnas.
A reportagem questiona, mas não acusa. Ainda assim, cobra transparência. Caso exista afastamento regular, ele precisa ser público. Caso não exista, a situação pode caracterizar descumprimento do dever funcional e uso indevido do tempo de trabalho custeado pelo erário.
O espaço permanece aberto para que Ulysses Lacerda Moraes esclareça sua situação funcional, informe se está oficialmente afastado e explique como concilia a participação em atos políticos com o exercício de um cargo público estratégico dentro da Assembleia Legislativa.
Com a palavra, Ulysses Moraes.